Positiva prepara estreia no leilão A-3 visando portfólio térmico

Empresa, que recebeu apoio de uma divisão do Barclays, quer parque gerador a gás natural e biomassa

Fundada por executivos renomados do setor elétrico, a Companhia Positiva de Energia está preparando sua estreia para o leilão A-3, marcado para 21 de agosto. A empresa inscreveu, em conjunto com a Diferencial, projeto de expansão da térmica de Linhares. Conhecidos como Linhares 2 e 3, totalizando 300 MW, serão movidos a gás natural. O empreendimento já tem licenciamento ambiental e agora tentar assegurar o fornecimento de combustível.

O objetivo é usar gás natural liquefeito importado. Para tanto, os empreendedores estão tentando assegurar o fornecimento do combustível e a logística de entrega. "No nosso caso, o primeiro agente que estamos conversando é a BR Distribuidora, responsável pela distribuição de gás. Estamos trabalhando com muito afinco para tentar materializar esse suprimento para Linhares 2 ou 3", contou Eduardo Karrer, sócio fundador da Positiva, em entrevista à Agência CanalEnergia.

O sucesso no leilão será a primeira investida depois do anúncio esta semana do suporte de capital do Barclays Natural Resource Investments, divisão de private equity de recursos naturais do banco inglês. O anúncio caracteriza a entrada da divisão no Brasil. O aporte de capital será feito a medida da necessidade da Positiva para investimentos. Com isso, o Barclays aumentará a participação no capital social da empresa brasileira, atualmente em 0%, conforme a entrada de recursos.

"A participação [do Barclays na Positiva] depende de quanto vai desembolsar na medida da necessidade [da empresa]. Isto em equity não em dívida", explicou Leandro Cunha, diretor financeiro da Positiva, acrescentando que a operação é conhecida como equity commitment. "O Barclays é nosso parceiro para crescer no setor elétrico brasileiro", completou Karrer. E os planos da empresa não são pequenos. A Positiva pretende formar um robusto portfólio em térmicas a gás natural e biomassa florestal.

Além disso, a empresa não descarta no futuro investimentos em energia solar. "Temos que olhar para o futuro de curto prazo, a solar é realmente uma das vertentes. Não queremos diversificar nossos esforços. Mas a solar temos que olhar. E estamos olhando tanto no leilão de reserva como geração distribuída", ponderou Xisto Vieira Filho, sócio da Positiva.

No caso da biomassa, a empresa já trabalha no licenciamento de dois projetos com 55 MW de capacidade instalada, cada. "Estamos buscando projetos na região Sudeste. E estamos olhando a região Sul. Buscamos ativos florestais de primeira linha", revelou Karrer. Ele adiantou que a empresa está fazendo, no momento, "o ajuste fino do número de projetos". "Vamos trabalhar dentro do conceito de portfólio. Não vamos fazer um ou dois projetos. Vamos fazer um portfólio que vai ter uma materialidade de potência instalada. Vai ser substancial", avisou.

Em Linhares, já há uma fase 4 projetada, com 700 MW, o que levará esse complexo para 1 GW. "Nós estamos perseguindo mais um ou dois projetos a gás nas regiões Sudeste e Nordeste, com potência significativa que justifiquem também a importação própria de GNL", apontou o executivo. Os sócios da Positiva enxergam as oportunidades de investimentos, que se apresentam no setor. Segundo Karrer, independente dos desequilíbrios de curto prazo, o setor vai continuar precisando investir em térmicas mais baratas, que desloquem as com custo maior de geração.

"Vamos continuar apostando em projetos eficientes. Melhorar ou baratear o custo do mix térmico do Brasil é um trabalho para os próximos cinco anos", avaliou o sócio da Positiva. Vieira Filho disse que as mudanças apontadas pelo governo, principalmente, a flexibilização do prazo dos contratos de gás, são positivas para os investidores. "Os preços-tetos tem melhorado. Tem havido interesse de agentes privados", observou ele, acrescentando que o preço do A-3 deve ser igual ou maior do que o registrado no último A-5.

Em relação aos financiamentos, os executivos esperam ver os fornecedores de equipamentos mais próximos dos empreendedores para viabilizar os projetos. "Uma fonte importante é negociar parceria com os fabricantes de equipamentos, que podem ajudar nessa nova estruturação financeira dos empreendimentos", sugeriu Karrer, que disse que já está conversando com fabricantes para fornecimento para a expansão de Linhares, que está inscrita no A-3.