Nova versão do Decomp entra em processo de validação

Programa computacional desenvolvido pelo Cepel para planejamento a curto prazo das usinas hidrelétricas deve ter uso autorizado em 2020

Uma nova versão do software Decomp, desenvolvido pelo Cepel para o planejamento hidrotérmico de curto prazo, avançou para o processo de validação técnica, no âmbito da Força-Tarefa Decomp (FT-DECOMP). O processo conta com a participação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e de agentes do setor. A perspectiva para o uso oficial das novas funcionalidades é em janeiro de 2020.

A pesquisadora Lilian Chaves, gerente do projeto, elenca as principais funcionalidades da versão 30 do programa através das considerações mais detalhadas sobre a geração de Itaipu 50Hz e 60Hz na otimização do modelo, no uso de polinômios por partes para representar as curvas de jusante das usinas hidrelétricas e na consideração da influência de vazões laterais de postos ou de outras usinas na cota do canal de fuga de uma UHE.

Para ela, o setor elétrico está em constante evolução e conta com um dinamismo muito grande, justificando a importância dos modelos que o representam acompanharem este processo. “O DECOMP não fica para trás e estamos sempre, em parceria com as instituições, analisando as necessidades e viabilizando evoluções, de forma a buscar um modelo mais eficiente e realista”, afirmou a pesquisadora.

Desde 2002, o software é usado oficialmente na Programação Mensal da Operação (PMO) pelo ONS, auxiliando a operação do sistema elétrico brasileiro e o cálculo do Custo Marginal da Operação (CMO). O programa também é utilizado pela CCEE no processo do cálculo do preço de mercado (PLD), além de várias empresas e agentes do setor elétrico que também o utilizam para estimar preços e realizar estudos prospectivos.

Treinamentos

O treinamento para a atualização foi realizado no começo de junho, na Unidade Fundão do Centro, e tratou sobre a versão anterior do programa, abrangendo desde a base teórica da modelagem matemática presente no software até aspectos práticos, como apresentação e análise dos dados de entrada e resultados do modelo e conceitos básicos do sistema operacional Linux. Além disso, também foram apresentadas algumas das novas funcionalidades da versão 30 do programa.

Participaram do curso representantes da Eletrobras, Eletronorte, ONS, Neonergia, Solenergia, Thymos Energia, Celesc, CTG Brasil e estudantes universitários. Para Walesca de Souza Ribeiro, da área de Planejamento Energético da CTG Brasil, que utiliza o Decomp há 9 meses, os temas abordados foram pertinentes. “Aprendi funcionalidades que não conhecia e pude trazer para a empresa novas formas de analisar as saídas do modelo, bem como de realizar estudos prospectivos”, analisou.

Lucas Soares, da área de Estudos de Mercado de Energia da Thymos Energia, utiliza o programa há um ano e também considerou válido o treinamento para a prática do dia a dia. Dentre as funcionalidades abordadas, ele destacou as implementações da Função de Produção Hidroelétrica (FPHA), que busca representar a variação da produtividade das usinas hidrelétricas com a altura de queda, que é função da vazão turbinada, da vazão vertida e do volume armazenado.