‘Corrida do Ouro’ ajuda a atrasar aportes em geração, aponta Eletrobras

Investimentos da empresa no primeiro trimestre ficou em metade do previsto por dificuldades de aquisição no mercado devido à alta demanda no segmento de renováveis

Os investimentos da Eletrobras no primeiro trimestre ficaram em cerca de metade do que estava previsto no período. A companhia conseguiu aplicar quase a totalidade do orçado em transmissão. O problema esteve em geração que foi o destino de apenas 33% do que estava estimado. Diante de um valor de R$ 301 milhões, realizou R$ 98 milhões. Do total previsto de pouco mais de R$ 1 bilhão a empresa investiu R$ 523 milhões.

A diretora Financeira e de Relações com Investidores, Elvira Presta, comentou que essa performance deveu-se, entre outros fatores, à alta demanda por equipamentos e componentes no país por conta de “questões regulatórias”, fazendo referência ao que se convencionou a chamar de corrida do ouro das renováveis que querem manter o desconto da tarifa-fio.

“Os fornecedores estão com sobrecarga na aquisição. Isso tem desafiado os cronogramas propostos, por isso temos feito a adaptação do que estava planejado”, destacou.

Outro ponto que ajudou à não realização do investimento em geração foi o despacho térmico da UTE Santa Cruz no primeiro trimestre. A Eletrobras está com projeto de fechamento de ciclo da usina que por estar gerando teve que ser adiado.

O presidente da Eletrobras, Rodrigo Limp, comentou também que a postergação do prazo para o início da operação de Angra 3 foi apenas um ajuste que a empresa realizou de acordo com o plano de aceleração do caminho crítico. Agora, a empresa prevê o início de operação em fevereiro de 2028, ao invés do final de 2027.

Ele comentou que o EPCista deverá ser contratado quando o BNDES definir a tarifa com a aprovação do CNPE. E que adiar em alguns meses o cronograma não foi significativo em uma obra de sete anos. “Fizemos isso para ser o mais fiel possível o cronograma de trabalho”, acrescentou.