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Completando dez anos do início da geração da sua primeira turbina, a hidrelétrica de Jirau (RO – 3.750 MW), localizada no rio Madeira, quer manter o alto padrão de qualidade e vencer os desafios que o sistema atual impõe. Em entrevista à Agência CanalEnergia, o CEO da Jirau Energia, Edson Silva, elogia a equipe da UHE, que conseguiu obter a disponibilidade de referência pedida pela agência reguladora, através da otimização de projetos de engenharia e equipamentos. Jirau também conseguiu reduzir no último ano o consumo interno de energia em 25%.

Mas se o desafio da geração de energia em um rio repleto de diferenciais vem sendo bem gerido, o executivo alerta que o aumento da participação das renováveis intermitentes nos últimos anos tem levado a um deslocamento da geração da UHE. Segundo Silva, a ação tem acontecido pela incapacidade de armazenamento desses empreendimentos. A UHE, que foi criada para produzir energia baseada na sua garantia física, acaba com geração inferior ao acertado. “Já estamos trabalhando com uma redução de geração de hidrelétrica próximo a 20%.”, avisa. O valor poderia chegar a 400 MW med e impactar na receita da usina. A autoprodução por equiparação, em que o consumidor por ser sócio acaba liberado do pagamento de encargos também é citada por ele como outra razão para reduzir a demanda da usina.

Silva elogia a escolha feita por executivos que lideraram o projeto como Mauricio Bahr e Victor Paranhos, de realocar a população em um local próximo, com infraestrutura adequada. Isso acabou criando um engajamento forte com a comunidade local. A vila construída em Nova Mutum Paraná que também abriga trabalhadores da usina já oferece internet banda larga para os moradores, casas com monitoramento e escolas com turno ampliado. “O diferencial foi tomar a decisão por ter uma cidade para abrigar não apenas os colaboradores, mas os reassentados como um todo”, explica.

Viabilizada em um leilão de energia em 2008, a UHE tem como sócios a belgo-francesa Engie (40%), Chesf (20%), Eletrosul (20%) e a Mitsui (20%), através da subsidiária Mizha Participações. As obras civis começaram em 2009 e em 2010 teve início a montagem eletromecânica. A construção gerou mais de 60 mil empregos diretos e indiretos. Outro ponto destacado por Silva é a disciplina e a gestão financeira no empreendimento. Este ano, Jirau começa a dar lucro.

O executivo se mostra animado com a modernização do setor que vem se desenhando. Para Silva, o PL 414 foi bastante discutido pelo setor, mas algumas questões podem ser revisitadas por conta da dinâmica do setor. O CEO da Jirau Energia aponta que a temática dos subsídios deve ser o grande foco da modernização. “A cada dia que passa, engorda a conta de subsídios que estão sendo oferecidos”. alerta. Para ele, o custo da conta está ficando alto e algo deve ser feitio.

Na visão do executivo, a baixa tensão hoje está dominada pela geração distribuída, por estar se mostrando a única opção competitiva frente a tarifa cada vez mais alta. Essa faixa de consumidores ainda não está elegível ao mercado livre. Silva entende que a abertura pode ser simples, mas elege o tratamento aos contratos legados como algo fundamental dentro desse processo, que acaba de certa forma impactando nos geradores que estão com a energia das suas plantas contratadas no ambiente cativo. “Algum tratamento precisa ser dado para não onerar os consumidores que preferem ficar no ambiente regulado”, pondera.

Ele considera que o Brasil será protagonista na transição energética por ter uma matriz limpa e diversificada. Silva avalia o movimento como bem vindo, mas desde que haja um equilíbrio na escolha da quantidade de energia que virá ao sistema. A transformação da fonte hídrica de geradora em bateria alteraria o modelo de negócio e demandaria compensações. Para o executivo, o atributos das UHEs são muito preciosos e deve ser bem precificados. Por conta de tantas variantes do setor, Silva acredita que a reformulação do setor deve seguir de um jeito que contemple todos e não apenas uma área específica. “Quando você faz um projeto, você tem que olhar o todo. Se você olhar só uma parte, esteja seguro que vai dar problema”, adverte.