A Alupar terminou o primeiro trimestre do ano com lucro líquido regulatório de R$ 153,9 milhões, resultado 6,8% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. O Ebitda Regulatório da companhia ficou em R$ 669,2 milhões, pouco abaixo dos R$ 672,4 milhões do primeiro trimestre de 2023. De acordo com o superintendente de Relações com Investidores, Luiz Coimbra, o resultado esteve em linha com o do ano passado, reforçando o ciclo novo de crescimento da companhia.

Em março deste ano, a Alupar levou o Lote 15 do Leilão 01/2024. Localizado em Minas Gerais, adicionará 509 km em novas LTs ao portfólio. Os investimentos previstos são da ordem de R$ 1,3 bilhão e receita anual de R$ 154 milhões. Segundo Coimbra, somados aos ativos vencidos no ano passado, serão investidos neste novo ciclo de cerca de R$ 4 bilhões no Brasil, com a implantação de três projetos que adicionarão uma RAP de R$ 463 milhões, enquanto que na América Latina serão investidos cerca de R$ 600 milhões na implantação de três novos projetos que trarão uma receita adicional de R$ 81 milhões.

Também em concordância com a Política de Dividendos aprovada em 2022, o Conselho de Administração da Alupar aprovou a distribuição de dividendos intercalares no montante de R$ 66,6 milhões (R$ 0,21 por Unit), equivalente a 45,5% do Lucro Líquido Regulatório do trimestre.

Com base nos números IFRS, o Ebitda e o Lucro Líquido totalizaram, respectivamente, R$ 811,8 milhões e R$ 254,9 milhões, este último com uma alta de 10,5% em relação aos R$ 230,7 milhões contabilizados no primeiro trimestre do ano passado.

Com presença forte no segmento da transmissão, o executivo revelou em entrevista exclusiva à Agência CanalEnergia que a companhia avalia participar do Leilão de LTs que será realizado no segundo semestre. “Temos apetite, vamos ver se conseguimos ter uma participação vencedora de novo”, comenta. A forma da eventual participação no certame também ainda não está definida. A transmissora poderá vir sozinha ou com parceiros. A Alupar tem uma parceria com o fundo de investimentos Perfin e também já foi à disputa em associação com a Equatorial Energia e o próprio Perfin. “Depende muito do tamanho do lote e das características”, pondera.

Hoje são R$ 4,8 bilhões em capex até 2029, em seis projetos espalhados no Brasil e na América Latina. Como os dispêndios só devem começar em cerca de dois anos, há espaço para novos projetos. Sobre eventuais aquisições, Coimbra tem observado oportunidades, mas lembra que um projeto greenfield muitas vezes traz otimizações no orçamento e no cronograma que se transformam em vantagens.

O linhão Boa Vista-Manaus está com 28% de avanço físico e frentes de trabalho dentro e fora de reserva indígena. Construído pela TNE – sociedade com a Eletronorte – a LT conectará o estado de Roraima com o Sistema Interligado Nacional. A obra ficou parada durante muitos anos, por conta de entraves ambientais e com a população indígena. A previsão é que fique pronta no final de 2025.

A UHE São José (RS – 51 MW), de propriedade da Alupar, fica localizada na cidade gaúcha de Ijuí. As cheias que devastaram o estado não afetaram a usina. Segundo o executivo, nessa região, a chuva foi menos intensa e houve apenas um aumento de vazão controlado. Ele ressalta que a catástrofe climática deverá demandar uma posição regulatória da Agência Nacional de Energia Elétrica, uma vez que linhas de transmissão ficaram indisponíveis.

Com ativos na América Latina, o foco internacional está na transmissão. Há um pipeline de mais de US$ 2 bilhões em oportunidades na Colômbia, Peru e Chile este ano que irá a leilão. Segundo Luiz Coimbra, há uma similaridade com o Brasil que a expansão renovável nessas regiões também está em áreas mais distantes que necessitam de transmissão.