Cemig economizará R$ 300 mi em 2020 com restruturação e gestão de dívida

Expansão dos investimentos em distribuição permitirá que volume de sistemas de geração distribuída possa aumentar em 1 GW

A Cemig estimou em R$ 300 milhões a economia que terá em 2020 com o programa de restruturação da dívida e organizacional da companhia que está em curso. No caminho da empresa estão previstos planos de produtividade, sistema de gestão de resultados e um plano de terceirização a despeito do alto nível dessa atividade dentro da companhia. Além disso, a elétrica prevê mais ações de alongamento de seus débitos aproveitando um cenário positivo para a captação de recursos.
Os ganhos estimados pela companhia passam pela redução de 25% na quantidade de superintendências e gerências da empresa. A meta é deixar a companhia com menor nível de verticalização e agilizar os processos internos. Além disso, houve uma renovação de 42% das posições de liderança da companhia, apontou o presidente da Cemig, Cledorvino Belini, em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira, 16 de agosto, em São Paulo. Quanto ao plano de terceirização a companhia ainda não definiu o escopo desse plano.
De acordo com a estatal mineira, o programa de eficiência já vinha seguindo o modelo tradicional de mercado onde há despesas e procurou aproveitar as oportunidades de cortes de custos. A meta, estabeleceu o executivo, é a de atribuir mais agilidade à empresa que possuía processos morosos. Essa meta, continuou ele em sua explicação deve-se porque a companhia tem desafios que passam por se adequar à nova matriz energética nacional, o aumento da digitalização das redes, ter custos mais eficientes com mais produtividade e garantir a qualidade de serviços aos clientes.
Uma importante parcela dessa gestão, explicou o diretor Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Maurício Fernandes, passa pela gestão da dívida que tem um perfil de mais longo prazo e de menor custo. A companhia possui em 2024 o vencimento de R$ 6,2 bilhões enquanto nos demais anos o valor gira em cerca de R$ 1,4 bilhão. De acordo com o executivo, a estatal não vai esperar chegar próximo da data para reperfilar esses valores de dívida. Ele toma como exemplo que em 2017 a dívida da Cemig tinha um custo de 145% do CDI e ao final do trimestre a empresa conseguiu captação a 108% do CDI por meio da emissão de debêntures.
“Há excesso de liquidez no mercado e isso favorece captar recursos, pois está mais barato. Além disso estamos com o caixa mais folgado recebemos R$ 1,1 bilhão na Cemig GT pelo ressarcimento de ativos não amortizados de São Simão, Jaguara e Miranda e ainda há outro crédito de R$ 460 milhões na CCEE pelo GSF”, relatou Fernandes.
Investimentos
No início da semana o conselho de administração da companhia aprovou aumentar o plano de investimentos da distribuidora contemplando um valor de R$ 1,2 bilhão para o período de 2020 a 2022. Assim, estão previstos aportes totais da Cemig na casa de R$ 8,2 bilhões nesse período. Na área de concessão da distribuidora estão previstas 78 novas subestações e mais de 2,2 mil quilômetros de linhas de distribuição. Segundo Belini, esses aportes poderão viabilizar o acréscimo de 1 GW em capacidade em sistemas de geração distribuída no estado que já é o maior no ranking brasileiro dessa modalidade.
O executivo, que assumiu a elétrica mineira este ano, apontou que a companhia não deverá ter mais obras atrasadas a partir de setembro deste ano.