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O primeiro leilão de transmissão de 2023 foi considerado um sucesso, mas reservou surpresas como deságios elevados, superiores, na média, a 50%, e a entrada na disputa de empresas sem tradição no setor elétrico, que arremataram em consórcio dois dos nove lotes ofertados.

“Havia preocupação de não se alcançar sucesso em todos os lotes, pelo aumento do Capex”, disse o CEO da Thymos Energia, João Carlos Melo. Além da demanda muito grande por suprimentos após a pandemia, pressionando a cadeia produtiva, há a questão do custo de capital, em razão da taxa de juros elevada.

O consultor lembra que a cadeia de suprimentos ainda não está normalizada, mas imagina que os vencedores do certame, especialmente os tradicionais, devem tentar otimizar de alguma maneira o custo dos projetos. Mesmo assim, ele considerou ousados os deságios apresentados. Alguns dos lotes tiveram, inclusive, disputa em viva-voz.

Para Amanda Fernandes, gerente na área de Estudos de Transmissão e Distribuição da PSR, o leilão de transmissão mostrou-se um sucesso com a venda dos nove lotes ofertados para sete empreendedores distintos e um deságio superior a 50%. “Esse resultado demonstra o interesse do mercado de continuar investindo no setor de transmissão do Brasil, que garante uma receita fixa ao empreendedor sem exposição do risco de demanda, e também de que a Aneel fez um processo de licitação criterioso e condizente com a realidade do mercado”, avalia a especialista.

Antes do certame, a consultoria trabalhava com a expectativa de muita competição entre as empresas pelos lotes, lembrando que a disputa pelo menor valor de receita favorece deságios maiores,  beneficiando o consumidor de energia.

O presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales, também considera o leilão bem sucedido. Sales destaca que a Agência Nacional de Energia Elétrica reconheceu a elevação do custo de capital por causa dos juros, o que elevou a Receita Anual Permitida dos empreendimentos. “É importante ter uma RAP que atraia um número forte de competidores, porque aí vão determinar um preço mais barato ”

Sales ressaltou a presença da Eletrobras no certame, ao contrário de outras épocas, em que a antiga estatal dava lances sem disputa ou ainda foi proibida de participar sozinha de leilões de transmissão. ‘Tem que ser celebrado. É, mais uma demonstração eloquente do acerto da capitalização da Eletrobras”.

Mário Miranda, presidente executivo da Associação Brasileira de Empresas de Transmissão de Energia Elétrica, vê o leilão de hoje como o primeiro passo para acelerar a transição energética. Ele destaca que a contratação de novos projetos de transmissão para levar energia renovável do Nordeste para o Sudeste vai dar opção de transporte aos projetos eólicos e solar fotovoltaicos a serem executados nos próximos anos.

“A gente até imaginava que os deságios fossem menores”, reconhece o executivo, admitindo que os problemas da cadeia de suprimento e outras questões ainda impactam os investimentos. Miranda avalia, no entanto, que as empresas associadas procuraram oferecer deságios justos, porque conhecem o ambiente em que trabalham e os eventuais desafios que podem enfrentar na implantação dos empreendimentos.

A Abrate está atualizando estudos sobre a cadeia de suprimentos realizado em parceria com o escritório Alvarez & Marsal, para identificar como avançar na ampliação da capacidade industrial. “Pode ser que as empresas abram um terceiro turno. Lá na minha terra, Itajubá, a Weg está expandindo a fábrica de transformadores.”

Gênesis

A unanimidade em relação ao leilão foi a surpresa com a presença do Consórcio Gênesis, formado pelas empresas The Best Car Transporte de Cargas Nacionais e Internacionais e Entec Empreendimentos. Ele foi vencedor do Lote 1, um dos maiores da disputa, com deságio de 66,18%, e do Lote 8, com uma receita 55,35% menor que a RAP teto do certame, e é a grande interrogação entre os investidores do setor elétrico.

Melo, da Thymos, revela que sua grande preocupação em relação à capacidade das empresas de implantarem os projetos é em relação ao lote maior, que soma 1.114 km de linhas. Os dois lotes somam quase R$ 3 bilhões em investimentos. Melo lembra que a Aneel toma uma série de precauções, e o resultado do leilão ainda será validado no processo de habilitação. Mas o certo é que poderia ter tido uma disputa mais equilibrada.

Amanda Fernandes pondera que no setor de transmissão sempre surgem novos players, o que é benéfico por trazer maior competição. Destaca ainda que a agência reguladora tem experiência em acompanhar a implantação dos empreendimentos de transmissão e há a exigência do aporte de garantia de fiel cumprimento para forma a assegurar o sucesso na implantação desses projetos.

Miranda também usa o argumento de que a secretaria de licitação da Aneel ainda vai analisar se as vencedoras preenchem os requisitos técnico e econômico financeiro antes de confirma o resultado do certame.