O Nordeste e o Rio Grande do Sul aparecem como as principais regiões com custo nivelado de hidrogênio (LCOH) mais competitivos para produção com energia eólica e solar no Brasil em 2030. A projeção é da Agora Indústria e consta no último estudo lançado nessa quinta-feira, 18 de abril, em parceria com o Instituto E+ Transição Energética. Nessas regiões os valores aparecem próximos a US$ 2,66 o Kg do insumo, enquanto em parte do Sudeste e Centro-Oeste sobem para um patamar mediano de preço considerando um valor máximo de US$ 5,56 o kg, que é vislumbrado para algumas localidades em Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

O levantamento também aponta o potencial de energia limpa e um setor industrial bem desenvolvido podem credenciar o país a se tornar um dos principais polos mundiais de produção, uso e comércio internacional de produtos de H2 e power-to-x (PtX) de baixa emissão. O rol inclui itens fabricados por indústrias básicas, como ferro e aço, bem como combustíveis vide o e-metanol, além de sintéticos. A priorização de insumos de baixa emissão para a descarbonização industrial, o planejamento intrassetorial e a qualidade da governança podem fazer a diferença, indica a publicação.

O aproveitamento do potencial depende da superação de uma série de desafios, como a priorização do uso da molécula na indústria para aplicações “sem arrependimento”, onde outras opções limpas como eletricidade de fontes renováveis ou biomassa e derivados não são uma opção. Outro ponto é aproveitar a complementaridade dos recursos energéticos renováveis de cada uma das regiões.

“Esperamos que o hidrogênio de baixas emissões possa servir de base para a neo-industrialização verde do Brasil, promovendo o nosso desenvolvimento socioeconômico e permitindo que o país dê uma contribuição significativa para a transição energética global”, resume a diretora executiva do Instituto E+, Rosana Santos.

As 12 perspectivas abordam questões como a destinação da maior parte da produção do H2 verde por aqui será utilizada para descarbonizar setores-chave da economia, como a indústria, transporte marítimo e a aviação, onde a eletrificação direta ou a utilização direta de biometano a partir de biomassa residual não é viável.

Além disso, a expetativa é que a relevância do Brasil em termos geopolíticos permita uma liderança na agenda de descarbonização industrial e no desenvolvimento de parcerias estratégicas para um mercado global de PtX. A presidência do G20 neste ano e a realização da COP-30 em 2025 podem favorecer as condições dessa direção.

O estudo também alerta que a viabilidade desses movimentos depende de algumas decisões que ainda precisam ser tomadas, como levar em conta a cadeia do insumo nos planos energéticos e garantir que sua produção a partir de combustíveis fósseis com captura e armazenamento de carbono (CCS) seja considerada apenas como uma tecnologia de transição, a ser superada.

E aponta que tecnologias de baixas emissões mais maduras devem limitar o potencial do mercado de veículos a hidrogênio, favorecendo a utilização do vetor em setores industriais que dificilmente serão descarbonizados de outra forma, como o de fertilizantes, aço e produtos químicos.

A viabilidade desse desenvolvimento também está ligada ao fato de que o novo combustível deve ser considerado não apenas do ponto de vista energético, mas também por sua importância em termos de mudanças climáticas, o que abre a possibilidade de combinar instrumentos de financiamento das duas áreas.

As discussões propostas pelo levantamento incluem ainda a competitividade da cadeia do H2 e o estabelecimento de padrões para o insumo, em consonância com as exigências do comércio global. Há ainda a necessidade de desenvolvimento tecnológico na área, por meio de projetos de pesquisa e desenvolvimento, entre outras iniciativas.