Volkswagen anuncia novo sistema de baterias para popularizar carros elétricos

Montadora quer reduzir custos pela metade até 2025 e vai instalar seis gigafábricas na Europa para suprir demanda do mercado, além de expandir rede global de cargas rápidas

O Grupo Volkswagen apresentou sua trajetória tecnológica para baterias e recarga destinadas a veículos elétricos ao longo desta década, objetivando reduzir a complexidade e custo nos sistemas de armazenamento e tornar mais viável a escolha e poder de compra do maior número possível de pessoas. O anúncio foi realizado na última segunda-feira, 15 de março, durante o primeiro dia do Power Day da companhia.

A ideia é garantir o suprimento de células unificadas de baterias para além de 2025, chegando a uma capacidade de produção total de 240 GWh por meio de seis gigafábricas na Europa atendidas por energia elétrica renovável, além de buscar também a expansão global de uma rede pública de carga rápida no continente, firmando cooperações com a britânica BP, a espanhola Iberdrola e a italiana Enel.

“A mobilidade elétrica tornou-se um negócio fundamental para nós e estamos agora integrando estágios adicionais à cadeia de valores de forma sistemática, garantindo uma pole position no longo prazo na corrida pela melhor bateria e melhor experiência do cliente na era da emissão zero”, disse o presidente do Conselho de Administração do Grupo Volkswagen, Herbert Diess,

A nova célula está programada para lançamento até 2023 e será instalada nas várias marcas da montadora em até 80% de seus VEs em 2030. Outras economias serão obtidas pela otimização do tipo de célula e a adoção de métodos de produção inovadores, assim como uma reciclagem consistente do material. A meta é reduzir gradualmente os custos das baterias no segmento de entrada em até 50% e no de alto volume em até 30%.

“Vamos usar nossa economia de escala para beneficiar nossos clientes também no que diz respeito à bateria. Na média, vamos reduzir o custo dos sistemas de baterias para significativamente abaixo de 100 euros por quilowatt-hora, o que fará da mobilidade elétrica uma tecnologia de propulsão acessível e dominante”, explica o membro do Conselho do Grupo Volkswagen e encarregado pela tecnologia, Thomas Schmall.

Thomas Schmall: célula unificada fará da mobilidade elétrica uma tecnologia de propulsão acessível e dominante (Divulgação)

As duas primeiras fábricas funcionarão na cidade sueca de Skellefteå e em Salzgitter, na Alemanha. Já a produção das células premium acontecerá na Northvolt Ett, em Skellefteå, em colaboração com a Northvolt, prevista para começar em 2023 e que será ampliada gradualmente para uma capacidade anual de até 40 GWh.

A unidade operada atualmente em Salzgitter produzirá a célula unificada para o segmento de alto volume a partir de 2025 e desenvolverá inovações nas áreas de processo, design e química. A mudança vai proporcionar maior economia de escala e diminuir a complexidade da produção.

Parcerias visam rede mundial de carga rápida

Juntamente com suas parceiras, a Volkswagen pretende investir 400 milhões de euros no programa pelos próximo cinco anos, com investimentos adicionais trazidos por parceiros externos, visando operar cerca de 18 mil postos públicos de carga rápida na Europa, expansão de cinco vezes em comparação com esse ano e correspondendo a cerca de um terço da demanda total prevista para o continente para 2025.

A empresa quer estabelecer cerca de 8 mil pontos de carga rápida, com carregadores de 150 kW dispostos por 4 mil postos de combustíveis da BP e da Aral, a maioria na Alemanha e Grã-Bretanha. Em cooperação com a Iberdrola, vai cobrir as principais rotas de tráfego na Espanha, além de colaborar com a Enel para estabelecer uma rede em rodovias ou áreas urbanas.

A montadora também anunciou que está expandindo a rede pública de carga rápida nos Estados Unidos e na China, com a subsidiária Electrify America planejando chegar a 3,5 mil eletroposotos rápidos na América do Norte até o final do ano. Na China, o objetivo é atingir um total de 17 mil pontos até 2025, por meio da joint venture CAMS.