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O relatório final que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vem desenvolvendo sobre a ocorrência do dia 15 de agosto deverá ter um importante papel não somente na operação do SIN, mas também na questão do planejamento. Essa é a avaliação do diretor geral do órgão, Luiz Carlos Ciocchi. O prazo para que o Relatório de Análise Preliminar (RAP) fique pronto é 17 de outubro.

“Diferentemente dos outros eventos com fenômenos de escala humana, como explosões ou incêndios, esse foi um fenômeno de escala elétrica”, disse Ciocchi após sua participação no Smart Grid Forum nesta segunda-feira, 11 de setembro. “O entendimento do que ocorreu é importante não só do ponto de vista de operação, mas de planejamento dessa operação, para a implementação de novos parques e usinas e até mesmo para a fabricação de equipamentos”, avaliou ele.

Ciocchi lembrou que fenômeno parecido foi já visto na Europa em 2014 e 2015, aprendizado este que já foi incorporado ao dia a dia no Brasil. Ele destacou ainda que, apesar dessa experiência, esse é um momento que traz novos horizontes e que não existia antes. “Esses ensinamentos ajudarão em todas etapas de planejamento, operação e novas interligações do sistema elétrico”, acrescentou o executivo.

No momento, o ONS estuda os dados que os agentes apresentaram e que derivam da ocorrência. O foco, disse ele, está no evento zero, ocorrido às 8h31 minutos no dia 15 de agosto na linha Quixadá-Fortaleza II que acabou levando à abertura da interligação Norte-Nordeste com o Sudeste, tirando 22 GW de carga do SIN.

Ele relatou a ocorrência de 600 milissegundos levou a proteções sendo derrubadas em um verdadeiro ‘efeito dominó’. Os estudos que o ONS vem desenvolvendo, inclusive passam pela análise se esse mesmo evento poderia ocorrer em outra região do país e em outras usinas. Essa análise, descreveu ele, deve-se ao fato de que uma abertura de linha não derruba o SIN como aconteceu no mês passado.

“Todo dia a gente tem uma queda de linha e não acontece nada no SIN. Então, por que aquela abertura causou aquela ocorrência, essa é a grande análise preliminar e estamos fazendo a análise do ponto a ponto”, destacou. E acrescentou ao afirmar que a situação técnica e elétrica que têm que ser identificadas e estudadas para evitar que ocorra novamente seja no Nordeste ou qualquer parte do país, entender porque o blackstart não funcionou como deveria no Norte que teve blecaute total.