Ministro volta a defender privatização por Eletrobras mais competitiva

Bento Albuquerque projeta que participação na geração pode cair pela metade em 2028

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, revelou que vem tendo reuniões diárias sobre o processo de privatização da empresa. Em live realizada pela Delta Energia nesta terça-feira, 16 de junho, ele voltou a defender a venda do controle da empresa para que ela possa ter uma capacidade maior de investimentos. “Ela está perdendo sua capacidade de competir no mercado e sabemos que é um mercado bastante ativo”, afirma. Segundo o ministro, caso ela continue estatal, em oito anos a participação dela na geração do país, que é de cerca de 30%, vai ficar em 15% e na transmissão, que se aproxima dos 50%, vai ser reduzida para 30%.

A Eletrobras tem reconhecida tradição na fonte hídrica, sendo operadora de grandes usinas hidrelétricas do país. Na transmissão, ela é o maior player do país, mas nos últimos anos não participou dos leilões de LTs, que se notabilizaram pela forte disputa. A estatal também não participou dos leilões de energia nova, embora nenhuma UHEs tenha sido viabilizada.

A ideia do governo era de fazer a privatização da empresa ainda este ano. A operação depende ainda do aval do Congresso Nacional, que poderá modificar o projeto de lei enviado ao legislativo. A urgência na pandemia de Covid-19 fez com que a Eletrobras fosse para o fim da fila.

No encontro virtual, o ministro disse ainda que listou temas que serão apresentados ao Congresso Nacional no pós-pandemia. Segundo ele, a tarifa é um fator muito importante agora, já que ainda não é possível saber qual será o impacto após o fim da crise na economia nos seus vários setores e no consumidor. Ele também salientou que uma solução para o GSF pode ser obtida no curto prazo pelo parlamento, por ação legislativa. O uso de recursos de fundos setoriais e a redução de subsídios foram outros pontos que ele considerou prioritários e que serão sinalizados na retomada.

Albuquerque resaltou que a Conta-covid, criada para mitigar os impactos da pandemia no setor, foi feita com base nas lições aprendidas com a conta-ACR. Ainda de acordo com ele, a única similaridade e a operacionalização da conta pela CCEE, porque o cenário é diferente. Albuquerque também elogiou o envolvimento dos agentes e a governança do processo, que fez que em duas semanas a MP 950 fosse publicada.