Cemig avança em P&D de armazenamento de energia

Empresa atua em projeto que vai combinar storage com sistemas de GD

Um dos projetos escolhidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica na Chamada de Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Estratégico para avaliação e inserção de sistemas de armazenamento de energia no setor elétrico foi o P&D-721 “Arranjos técnicos e comerciais para a inserção de sistemas de armazenamento de energia em combinação com sistemas de geração distribuída nas redes de distribuição brasileiras”, com participação da Cemig. Mais uma etapa da iniciativa foi concluída, com a recente instalação de baterias de chumbo ácido, que irão otimizar os custos dos sistemas de armazenamento de energia implantados pelo projeto. O investimento no projeto é da ordem de cerca de R$ 22 milhões, sendo mais de R$ 17 milhões financiados pela Cemig, por meio de recursos do programa de P&D regulado pela Aneel.

O engenheiro Alécio de Melo Oliveira, gerente do projeto por parte da Cemig, explica que dentro do escopo foram implantados uma usina fotovoltaica – a primeira deste tipo no país com capacidade de armazenamento da ordem de 1,5 MWh e três sistemas de armazenamento de energia no município de Uberlândia, no Triângulo Mineiro. De acordo com ele,  a usina fotovoltaica já se encontra em operação e é composta por mais de 1.500 placas solares, totalizando 549 kWp, com potencial de geração de aproximadamente 640 mil kWh / ano, energia suficiente para atender pelo menos 350 residências, com consumo médio de 150 kWh/mês, por um ano.

Uma das finalidades da usina é o desenvolvimento de um novo modelo de negócio, a partir de plantas híbridas que combinam geração fotovoltaica e sistemas de armazenamentos em unidades consumidoras, o que garante a qualidade da distribuição de energia, especialmente em horários de maior demanda. Antes do projeto, todas as usinas desta modalidade em funcionamento no Brasil forneciam energia para a rede apenas durante o dia, suspendendo o fornecimento no momento em que o sistema é mais demandado. Com a nova usina, essa lógica é invertida, já que ela mescla o envio da energia para rede e o armazenamento ao longo do dia com a presença do sol. A partir das 18h, a tecnologia permite que seja injetado na rede seu potencial de 1,58 MWh de energia por até três horas, sendo a potência injetada limitada em 1 MVA.

Os sistemas de armazenamento que fazem parte do projeto totalizam 1,58 MWh. Um utiliza baterias de lítio com potência máxima de 1,26 MVA e capacidade de armazenamento de 1,36 MWh e dois utilizam baterias de chumbo ácido, totalizando 225 kWh de energia. Os dois sistemas de chumbo ácido permitirão definir, em horários pré-estabelecidos, se será injetada energia gerada pela usina fotovoltaica ou proveniente das baterias. Segundo o engenheiro, o objetivo desta configuração é aproveitar os inversores fotovoltaicos existentes, otimizando o custo da implantação de sistemas de armazenamento, evitando a necessidade de instalação de inversores híbridos.

Os sistemas possuem o objetivo de testar o desempenho das baterias de chumbo ácido. Com isso, será verificada a viabilidade de aplicação de baterias provenientes de datacenters em sistemas de armazenamento a serem utilizados no sistema elétrico. Estes sistemas ainda estão sendo operados manualmente, mas encontra-se em desenvolvimento um sistema SCADA, para a operação remota com várias funcionalidades automatizadas. A iniciativa teve início no ano de 2017, com previsão de conclusão em 2021, e é executada em parceria com a empresa Alsol Energias Renováveis, a Universidade Federal da Paraíba e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte.