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A Siemens tem trabalhado em projetos para o desenvolvimento do conceito de Megacharge, com carregamento em até 3,2 MW de potência para veículos pesados. A novidade foi comentada durante o Fórum de Inovação da empresa, que aconteceu nessa semana no Rio de Janeiro. A ideia é que a tecnologia habilite o uso em aplicações de longa distância, um dos desafios atuais no Brasil, que precisará de uma infraestrutura de recarga mais robusta e distribuída pelas rodovias do país.

Outro desenvolvimento mencionado durante o evento é o de recursos para recarga sem fio, de maneira a aumentar consideravelmente a conveniência do processo de carregamento para o usuário final, num projeto que está sendo executado em conjunto com a empresa Witricity.

“O desafio ainda é o investimento alto e criar a eletrificação das frotas de veículos com as estações de carregamento dentro das garagens de ônibus”, afirmou à Agência CanalEnergia o Vice Presidente da Smart Infrastructure da Siemens Brasil, William Pereira. Ele destaca o modelo As a Service como o mais avançado para o segmento, onde a empresa investe e comercializa o serviço a partir de um pagamento mensal, numa solução de mercado tanto para ônibus quanto caminhões.

Na avaliação do executivo, que tem um carro híbrido em São Paulo, a eletrificação no Brasil precisa avançar mais nos segmentos de infraestrutura e transportes, com a questão da malha de carregamento sendo mais um problema para automóveis de passeios que irão encarar longas distâncias, visto que dificilmente um usuário irá rodar 300 km por dia nas cidades.

“Para carros de passeio o avanço depende muito de política pública e incentivos financeiros, assim como vem acontecendo na China e Estados Unidos”, opina, ressaltando que no transporte público e pesados a própria exigência de sustentabilidade e descarbonização é suficiente para fazer a roda movimentar.

Segundo Pereira, a mobilidade elétrica ainda não avançou consideravelmente no Brasil pelo fator do etanol, uma solução nacional e eficiente para a descarbonização, tanto na produção quanto no uso dos veículos, capturando carbono para depois gera menos gases em comparação a gasolina, apesar de não ser tão eficiente como o carro elétrico. “A transição passa pelos carros híbridos e o etanol, para lá na frente chegar aos carros elétricos, algo que visualizamos para depois de 2030”, comentou.

De acordo com o estudo realizado pela Boston Consulting Group (BCG), o país pode atingir 507 mil veículos PHEV (Plug-in Hybrid Electric Vehicle, veículo elétrico plugável) e BEV (Battery Electric Vehicle, veículo elétrico a bateria) até 2035, prevendo necessidade de investimentos de R$ 14 bilhões no mercado de infraestrutura de carregamento. Nas contas da ABVE, os sete primeiros meses de 2023 representaram o emplacamento de 39.701 veículos leves eletrificados, alta de 68,5% em relação ao mesmo período em 2022 (25.536 veículos). Julho foi destaque com recorde de 7.462 unidades vendidas, a maior de toda a série histórica compilada pela entidade desde 2012. Já a previsão é chegar ao fim do ano com mais de 70 mil unidades.

O primeiro carregador ultrarrápido para espaços públicos disponibilizado pela multinacional alemã no Brasil foi o Sicharge D, com potências entre 160kW e 300 kW. O diferencial é o cabo de carregamento, que suporta 400 amperes de pico. Isso significa um carregamento real em 150 kW para diversos modelos de VEs disponíveis no Brasil. O principal benefício é a possibilidade de realizar a recarga de 20% a 80% da bateria em cerca de 20 minutos, tornando a conveniência de uso muito próxima a de um veículo a combustão, que faz o abastecimento em poucos minutos.

O segundo lançamento foi o carregador VersiCharge AC de 7 kW e 22 kW. Esse modelo já está em operação desde 2022 nas unidades da Siemens em São Paulo e Jundiaí para carregamento de veículos elétricos da frota da companhia e agora chega ao mercado de residências, empresas e estacionamentos.

VP defende subsídios e incentivos financeiros para eletrificação de carros de passeio no Brasil (Siemens)

Armazenamento e H2

Quanto ao armazenamento, Pereira destacou que o grupo possui 20% de participação numa empresa focada nesse segmento, a Micropower, especializada em baterias para grandes aplicações e que podem servir como fonte de geração, como no caso das regiões isoladas no Brasil, como num case da Siemens em parceria com a Neoenergia em Xique-Xique (BA), ou até nos próximos leilões de capacidade elaborados pelo governo.

Já no advento do hidrogênio, a empresa se posiciona um pouco antes da cadeia de produção do insumo, atuando no fornecimento de energia estável para o processo de eletrólise e auxiliando na distribuição energética dentro da planta, trabalhando no momento com diversos players que produzem H2 no mercado para encontrar soluções eficientes. “Estamos preparados para todo tipo de hidrogênio, mas o Brasil caminha para a produção renovável do vetor energético”, pontua.

Por fim, o Business Development Engineer da companhia, César Possatto, destacou que para ser escalável no país será preciso um marco regulatório bem estabelecido, além de precisar avançar na tecnologia dos eletrolisadores alcalinos de membrana e na descentralização da matriz renovável, com a Petrobras entrando na eólica offshore e a solar pegando maior tração. “Ainda não se produz hidrogênio no mundo sem subsídios e nos lugares mais competitivos, como Chile e Austrália, o preço do KWh da molécula é ainda maior do que o gás natural”, finaliza.