A dívida de R$ 10 bilhões da Amazonas Energia com a Eletrobras será alvo de ações mais efetivas por parte da credora tanto na esfera judicial quanto na regulatória. Em teleconferência realizada nesta quinta-feira, 9 de maio, o presidente Ivan Monteiro classificou o item como um dos mais impactantes no trimestre, em cerca de R$ 400 milhões e que busca uma solução. “É um volume expressivo”, afirma. A falta de pagamento se acentuou desde dezembro do ano passado.

A dívida da concessionária é anterior a sua privatização, mas o novo controlador, Oliveira Energia, não tem conseguido honrar o pagamento.

Segundo o vice-presidente de Executiva de Regulação e de Relações Institucionais, Rodrigo Limp, governo e a Agência Nacional de Energia Elétrica avaliam saídas para a distribuidora. Entre as soluções estariam troca de controle, caducidade ou intervenção. Para ele, uma eventual troca de controlador só viria com flexibilizações regulatórias permitidas apenas com alterações na lei. Esse caminho também estaria sendo vislumbrado pelo MME em um grupo de trabalho sobre a situação da distribuidora do Norte.

“Nossa expectativa é que saia uma proposta com medidas que flexibilizem os parâmetros regulatórios e viabilizem a entrada de um novo controlador”, explica. Ainda segundo Limp, após a Aneel ter recomendado a caducidade da concessão da AmE, o atual controlador tem demonstrado uma perda de condições de prestar o serviço, o que pode impactar na qualidade do fornecimento. No âmbito jurídico, o vice-presidente Marcelo de Siqueira Freitas contou que já estão judicializadas em mais de 3/4 do valor total e que medidas legais mais incisivas serão buscadas. “Os processos de cobrança estão em andamento. Iremos buscar cessar a situação de inadimplência corrente e os créditos passados que estão inadimplidos”, avisa.

Preços e geração

A companhia acredita em preços de energia pressionados nos próximos meses até chegada do período úmido. De acordo com o vice-presidente de Geração, Ítalo Freitas, no trimestre a safra dos ventos foi baixa, mas na parte hídrica houve uma melhora nos níveis do Norte e Sudeste/ Centro-Oeste. “Vemos um mercado um pouco menos líquido nos próximos meses”, observa.

Durante a teleconferência, o vice-presidente de Estratégia e de Desenvolvimento de Negócios, Élio Wolff, revelou que a expectativa é que até o fim do ano a venda das térmicas da Eletrobras seja concluída. “O processo está evoluindo e os ativos têm bastante atratividade, são quase 2 GW”, comenta.