Segmento de ferro ligas comemora lei que cria FESC

Apesar disso, o setor se mostra preocupado com o aumento de 300% da CDE e entre as opções avalia recorrer à Justiça para garantir custo mais competitivo

A criação do Fundo de Energia do Sudeste/Centro-Oeste (Fesc), autorizada pela lei 13.182/2015 e sancionada nesta quarta-feira, 4 de novembro, deve ser a saída para a retomada das atividades do setor de ferro ligas e silício metálico. Este segmento está com 80% de sua capacidade de produção paralisada desde o início do ano quando encerraram os contratos de fornecimento de energia das empresas com a Cemig. Como ainda há um prazo para que o processo de recontratação de energia seja concluído o setor vê o início da retomada das atividades apenas em 2016 sendo que carga plena apenas em 2018.

A estimativa do presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Ferro Ligas e de Silício Metálico (Abrafe), Henrique Zica, é de que em 2016 o setor veja o religamento de algo entre 30% a 40% da capacidade instalada do segmento, que está concentrado em Minas Gerais. No ano seguinte a projeção é de que esse patamar alcance 60% e em 2018, desde que a economia reverta a sua retração, é que o setor poderá alcançar novamente algo próximo a sua totalidade de uso da capacidade de produção. O setor possui capacidade instalada total de 930 mil toneladas e demanda de cerca de 700 MW médios.
“A diferença nossa para as empresas do Nordeste [também beneficiadas pela lei] é que continuamos parados, apenas 20% está em operação. A retomada do setor será de forma gradativa até que tenhamos a liberação da energia de Furnas que será escalonada”, explicou o executivo em entrevista à Agência CanalEnergia.
Contudo, alertou ele, o nível da produção industrial do país preocupa. Isso porque a atividade do setor que representa é destinada ao atendimento de fabricação de bens duráveis, como o de veículos. Parte da produção é destinada ao mercado interno e a outra parte às exportações. No que se refere ao mercado nacional ele demonstra preocupação porque há um sério desaquecimento, principalmente no setor siderúrgico, citando até mesmo o anúncio da Usiminas que poderá paralisar as atividades da unidade em Cubatão, a Cosipa.
Por esse motivo, argumentou Zica, a perspectiva é de que o setor não tenha aumento da capacidade de produção nesse período no Brasil. “Todos estão mais preocupados em religar suas fábricas que estão com capacidade ociosa e assim fortalecer seu caixa”, disse ele.
O valor da energia a ser fornecida a essa indústria ainda não está definido, mas outro ponto já vem preocupando o setor a ponto de poder levar a discussão à justiça, é a CDE. Segundo Zica, a entidade está avaliando a opção de recorrer ao Poder Judiciário para reverter esse assunto, assim como já fez a Abrace. Ao mesmo tempo, disse também há uma abordagem da associação em nível administrativo junto à Aneel sobre a questão, mas ainda sem retorno. Segundo o presidente da Abrafe, não pode existir esse desequilíbrio no custo da energia para o setor.
A energia pode variar de 42% a 60% do custo de produção para o segmento que a Abrafe representa a depender da linha de atuação de cada empresa. No final do ano passado os contratos com a Cemig no mercado livre terminaram e a geradora que vendia energia a um patamar de R$ 60/MWh ofertou a R$ 380/MWh segundo reportou a associação. Essa diferença de valores, disse a entidade inviabilizou a atividade do setor no estado. Além disso, nesse mesmo período o valor da CDE disparou 300% alcançando valor médio de R$ 70/MWh.
Zica explicou que um custo competitivo para o setor estaria na casa de US$ 30 a US$ 35/MWh. Esse é um patamar praticado no mercado internacional o que levaria a energia a um custo entre R$ 130 a R$ 160/MWh, já considerando todos os custos com encargos e transmissão.