Geração de energia recuou 0,8% em março, aponta CCEE

Produção de UTEs e EOLs caíram enquanto solar cresceu 29%; Consumo teve queda de 1,5% no mês em relação ao ano passado, influenciado pelas medidas restritivas de combate ao coronavírus

A geração de energia do Sistema Interligado Nacional (SIN) apresentou diminuição de 0,8% em março na comparação com o mesmo período de 2019, caindo de 67.166 MW médios para 66.605 MW médios em 2020, apontam os dados consolidados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE em seu boletim quinzenal.

Segundo o compilado, as usinas termelétricas e eólicas tiveram redução expressiva, de 16,7% e 13,9%, respectivamente. Já as hidráulicas apresentaram elevação de 2,4% por conta do maior volume de chuvas, que elevou os níveis dos reservatórios. As plantas solares, por sua vez, registraram uma produção 29,2% maior. A geração de autoprodutores de energia também contou com redução em março, de 7,3%, para 1.132 MW médios.

O consumo de energia verificado no SIN apresentou recuo de 1,5% frente 2019, indo para 62.945 MW médios. O comportamento é decorrente, sobretudo, da adoção de medidas restritivas para combate à Covid-19. Vale lembrar, porém, que o resultado foi positivamente impactado pela antecipação do feriado de Carnaval para fevereiro neste ano, o que resultou em um ganho de quatro dias úteis a mais em março. Expurgados os efeitos do Carnaval, a média do consumo e da geração sofreram reduções de 19,4% e 18,9%, respectivamente.

Analisando o número bruto, a CCEE observou crescimento de 1,8% no consumo no ambiente de contratação livre (ACL). No entanto, o resultado foi posto antes da eliminação o impacto da migração dos consumidores cativos. Retirado esse efeito, o ACL apresentaria queda de 2,9%, com a maior parte dos ramos de atividade apresentando reduções representativas, como 15,5% em serviços, 15,3% em veículos, 11,8% têxteis e 11,6% em bebidas.

No setor de veículos, a queda se explica pela paralisação de linhas de montagem, com dispensa temporária de funcionários (lay-off). Já no segmento têxtil, o impacto se deu pela representatividade da importação de produtos da China.