CCEE: Consumo de energia sobe 1,2% em maio com alta do ACL

Mercado livre elevou demanda em quase 6% enquanto ACR recua pelo segundo mês consecutivo

O consumo de energia elétrica segue em ritmo de crescimento no Brasil, tendo registrado a quarta alta consecutiva em comparação com 2021. O volume demandado em maio alcançou 63.169 MW médios, cerca de 1,2% a mais do que no ano passado, segundo dados preliminares da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Segundo a entidade, o avanço tem sido motivado principalmente pelos setores da indústria e grandes empresas, como shoppings e redes de varejo que compram energia no mercado livre. O resultado cresceu 5,8% na relação anual, o que levou o segmento a representar quase 37% do total consumido no país. A avaliação é de que o incremento sinaliza a retomada de setores importantes da economia, sobretudo o de Serviços, além do bom momento para exportações.

Já no mercado regulado, que consumiu pouco mais de 40 mil MW médios, houve redução de 1,3% frente a maio de 2021. O ambiente foi muito afetado pela queda das temperaturas em boa parte do Brasil a partir da segunda quinzena do mês, incomum para este período do ano.

Como há uma constante migração entre os mercados que influencia os dados, a CCEE também monitora o consumo em cada segmento desconsiderando esse efeito. Excluindo as cargas que mudaram seu regime de contratação nos últimos 12 meses, o ACL teria crescido cerca de 2,7% e o regulado teria um pequeno acréscimo de 0,4%.

Outro fator que pode impactar os resultados é a geração distribuída, uma vez que os painéis solares instalados em residências e empresas reduzem a demanda do Sistema Interligado Nacional (SIN). Sem esse tipo de tecnologia, o mercado regulado teria registrado aumento de 0,5% na demanda.

Outros destaques

O boletim monitora o consumo em 15 setores da economia que contratam seu fornecimento no ambiente livre. Mesmo desconsiderando a migração de cargas, o segmento de Madeira, Papel e Celulose teria apresentado a maior alta em maio, de 20,6%, seguido por Serviços e Bebidas, com 12,8% e 7,8%. Entre as baixas, 1,7% pela indústria Têxtil e Comércio, superados pelo setor de Químicos, que recuou em 2,1%.

Em relação ao mesmo período do ano passado, Rondônia registrou a maior taxa de crescimento, de 14%, com destaque para o aumento do consumo no mercado regulado e nos segmentos de Extração de Minerais Metálicos e Serviços. Já as maiores quedas foram observadas no Mato Grosso do Sul, Pará e Piauí, com 6%, 4% e 3%, regiões influenciadas pela baixa temperatura e pelas chuvas do último mês.

Na geração de energia das hidrelétricas, avanço de 11,1% em função do cenário hidrológico mais favorável. Consequentemente, o despacho de termelétricas foi 37,2% menor. Por sua vez a geração por painéis solares evoluiu 52,6% em maio, e as eólicas avançaram 10,5%.