O volume de financiamento via instituições financeiras e mercado de capitais para a geração de energia solar no Brasil diminuiu 48% no ano passado para R$ 18,3 bilhões, ante aos R$ 35,1 bilhões verificados em 2022. O dado integra um estudo recente da consultoria Clean Energy Latin America (Cela).  A queda dos créditos para usinas de grande porte foi de 39%, com R$ 8,4 bilhões destinados aos empreendimentos, contra os R$ 13,7 bilhões no exercício anterior.

Já os financiamentos para geração distribuída recuaram 61% para R$ 4,7 bilhões, enquanto a geração compartilhada e autoconsumo remoto angariaram R$ 5,2 bilhões, caindo 45% em comparação com os R$ 9,4 bilhões no ano anterior. Na análise da Cela esse é o primeiro ano em que os financiamentos retrocederam no setor, fruto do aumento das taxas de juros, as quais fizeram com que consumidores e empreendedores priorizassem o capital próprio (equity) nos projetos.

“Além disso, o aumento da inadimplência nos financiamentos de GD fizeram com que as instituições financeiras diminuíssem sua exposição a este tipo de projetos. Já para geração centralizada a maior queda no financiamento foi nas emissões de debêntures, apesar do financiamento via BNDES e BNB ter diminuído em menor volume. Um fator que influenciou parcialmente o resultado da pesquisa é a ausência da participação de uma instituição financeira em todos os anos do levantamento, que acontece desde 2019″.

Neste ano, a consultoria passou a acompanhar o volume de financiamento para a energia eólica também, cujo montante atingiu R$ 10,8 bilhões em 2023. Com isso, o valor total via instituições financeiras para as renováveis totaliza R$ 29,1 bilhões no ano que passou.