Comercializadores são atraídos para Manaus pelo grande potencial de migração

Após interligação ao SIN e alta das tarifas no ACR, mercado livre se torna atraente às empresas da região

As comercializadoras de energia estão atrás do grande potencial de migração para o mercado livre existente hoje em Manaus, no Amazonas. Após a interligação da capital ao Sistema Interligado Nacional, as comercializadoras começaram a trabalhar para trazer consumidores ao Ambiente de Contratação Livre. Com grandes indústrias instaladas na cidade, Manaus é praticamente o único mercado que ainda tem um enorme potencial de migração de grandes consumidores, ou seja, aqueles que estão conectados em 69 kV e consomem mais de 3 MW, além dos consumidores especiais.

Com o intuito de oferecer suporte para a migração e gestão da energia à empresas da região, a Ecom Energia inaugurou em março deste ano um escritório próprio em Manaus. Celso Concato, diretor de Relacionamento Comercial da empresa, conta que a Ecom está há dois anos monitorando a interligação, mas foi só após o reajuste da Eletrobras Amazonas Energia, distribuidora local, de 42,55% para os consumidores de média e alta tensão, aprovado pela Aneel para vigorar a partir de novembro de 2015, que a comercializadora começou a buscar clientes.

"Na sequência, o reajuste foi suspenso por uma liminar e a gente foi acompanhando esse processo porque já tinha no radar, já vislumbrava um mercado extremamente promissor aqui em função do reajuste e em função das simulações que a gente vinha fazendo. O parque industrial é muito grande e como não existia a possibilidade de migração, esse é um mercado realmente muito promissor", declarou o Concato à Agência CanalEnergia. Em janeiro, a liminar foi cassada e o reajuste foi realizado de forma retroativa a novembro de 2015, o que fez as tarifas subirem consideravelmente.

A Delta Energia foi outra empresa que viu em Manaus uma oportunidade para captar novos clientes. A empresa tem um representante na cidade responsável tanto por novos clientes como por realizar a migração de empresas que já são clientes da comercializadora em outros submercados e que agora tem a oportunidade de fazer a migração da unidade de Manaus. "Tem diversas indústrias em Manaus que tem filiais e que a sede é fora de lá, então já tem conhecimento [do mercado livre]. Nisso, a gente vê que tem uma tomada de decisão bastante diferente, porque essas já conhecem o mercado livre. Mas tem outras empresas que nem sabem o que é", apontou Reinaldo Ribas, gerente de Gestão de Clientes do grupo Delta Energia.

Ribas estima que, considerando a carga total de Manaus, próxima a 1.100 MW médios, cerca de 350 MW médios a 400 MW médios são de consumidores aptos a migrarem para o mercado livre. O grupo Delta já possui 10 pontos de consumo em processo de migração, mas nenhum cliente, segundo o executivo, já migrou de fato. Ele diz que o processo de migração tem demorado em torno de 180 dias. "A gente vê um potencial grande em Manaus porque diferente do restante do Brasil, lá tem consumidores convencionais também. Mas o nosso foco independe do consumo. O nosso foco é encontrar uma solução para cada tipo de indústria, avaliar cada uma e ver qual é a necessidade e a oportunidade de risco", disse Ribas.

Concato, da Ecom, comentou que, segundo informações da Eletrobras Amazonas Energia, já são cerca de 70 contratos denunciados, que é quando o consumidor avisa a distribuidora que quer realizar a migração para o mercado livre. A primeira empresa local da carteira de clientes da comercializadora é a Manaus Ambiental, que é a companhia de saneamento local. De acordo com o diretor, esse é o maior consumidor de energia do estado, com mais de 130 unidades de consumo, sendo cerca de 65 unidades elegíveis ao mercado livre.

"A primeira unidade deve estar entrando no mercado livre agora no segundo semestre", disse Concato. A Ecom fará a migração das 65 unidades, que não ocorrerão em um mesmo momento. Além disso, algumas unidades se enquadram como consumidor livre e outras como especial – quando o consumo fica entre 0,5 MW e 3 MW. Segundo o executivo, oito unidades já denunciaram os contratos. "Outros clientes como a Siemens, a International Paper, entre outros da nossa carteira, já estão fazendo o processo de migração aqui", ressaltou.

Ele estima que quem conseguir migrar ainda em 2016 pode ter ganhos que chegam a até 50%. "A tarifa aqui na ponta está em torno de R$ 395/MWh e fora da ponta, em R$ 245/MWh. Quando você fala num valor do mercado livre em torno de R$ 100/MWh, realmente é um ganho muito expressivo", declarou Concato. O diretor avalia ainda que para 2017, os preços no ACL estão um pouco mais altos, mas ainda assim, os ganhos variam de 20% a 30%, dependendo do perfil de cada consumidor e do tipo de energia consumida. "A gente deve fechar esse ano aqui com entre 15 e 20 empresas já em processo de migração, tendo um crescimento anual de, pelo menos, em torno de 20% a 30%", estimou o executivo da Ecom.