Swiss Re Corporate Solutions traz para o Brasil seguro para impactos climáticos

Modalidade é voltada para setores que sofrem com variações do clima, como o elétrico

A Swiss Re Corporate Solutions trouxe para o Brasil o primeiro seguro paramétrico de índices climáticos. Voltado para setores da economia que têm receitas e custos de operação diretamente impactados por variações inesperadas do clima, como é o caso do setor elétrico, o seguro ajuda as empresas a minimizarem eventuais perdas em seus resultados financeiros diante de eventos climáticos imprevisíveis, como a ausência de chuvas, por exemplo.

O diretor de Produtos Climáticos para o Setor de Energia da Swiss Re Corporate Solutions, Rodrigo Violaro, conta que a empresa já trabalha com esse produto a algum tempo na Europa e nos Estados Unidos, mas foi aprovado no Brasil em dezembro do ano passado. "É um produto que a gente oferece cobertura, indenizações, a partir de eventos climáticos que afetam diretamente a operação das empresas, seja na parte de receitas ou custos dessas empresas", explicou o executivo em entrevista à Agência CanalEnergia. No Brasil, um dos principais riscos para o setor elétrico, que é a Energia Natural Afluente, pode ser objeto do seguro.

A ideia do seguro paramétrico é definir índices para a ocorrência de eventos naturais. No momento em que o índice paramétrico é alcançado ou excedido, a apólice pode ser acionada. "No caso da ENA, a gente pode trabalhar em percentual da MLT. Por exemplo, se o cliente indicar que caso a MLT venha abaixo de 80%, ele vai perder R$ 100 mil a cada ponto de MLT abaixo desse percentual. Se na MLT do mês for verificado que ela veio abaixo de 80%, a gente paga R$ 100 mil para cada ponto de MLT abaixo daquele índice", exemplificou o executivo.

Segundo ele, todos os parâmetros são definidos anteriormente, na contratação do seguro, que é personalizado. "É um seguro mais simples que outros tipos de apólice, porque o índice é publicado por um agente independente, que é o ONS", comentou. Violaro disse ainda que o cliente pode contratar o seguro de forma mensal ou criar formas anuais de medir a exposição hidrológica.

No caso de eólicas, a seguradora mede diretamente o vento que incide sobre a planta do cliente. A indenização é realizada, segundo Violaro, em cima do megawatt-hora que o parque deixou de gerar por conta da falta de vento. O seguro cobre ainda a irradiação solar para as plantas solares. "A gente crê que nesses novos leilões de energia solar, esse seguro pode fazer uma proteção adicional para essas plantas novas que estão surgindo no setor de energia", avaliou.

Violaro explica que outro diferencial do seguro é que o valor da importância segurada é pré-definido em acordo com o cliente. O pagamento da indenização é mais rápido, segundo ele, ocorrendo entre duas a seis semanas. O prazo de cobertura também é definido com o cliente. A solução desenvolvida pela Swiss Re Corporate Solutions estabelece a opção para que o cliente contrate o produto de acordo com a variável que melhor se adeque à sua atividade. Precipitação, vazão de rio, temperaturas extremas, vento, irradiação solar e índices de El Niño são algumas das opções. É possível também realizar combinações desses riscos.

"Esse não é um produto de prateleira. Temos que trabalhar em estreita colaboração com o nosso cliente para desenvolver as coberturas e índices que melhor se aplicam à necessidade do seu negócio", afirmou Violaro. Ele disse ainda que o produto é novo no Brasil e que por ser customizado, tem um tempo de maturação. A expectativa é que na América Latina como um todo, incluindo aí o Brasil, se consiga US$ 17 milhões por ano de prêmio para esse tipo de produto já em 2016.