Abdan vê possibilidades reais de expansão da fonte nuclear nos próximos anos

Para presidente da associação, MME sabe não pode descartar nenhuma fonte energética e energia nuclear será necessária na matriz

Pregando por uma fonte com boas possibilidade de desenvolvimento no país, mas com grandes dificuldades para se viabilizar, a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Atividade Nuclear viu nas declarações do ministro Eduardo Braga sobre a expansão do parque gerador nuclear um profissionalismo de quem vê que não pode excluir nenhum tipo de fonte da matriz e vai ter a necessidade de ter mais térmicas na base. "Além deste aspecto, é importante ressaltar que a partir de 2025-2030 necessitaremos de usinas nucleares para atendimento de base", completou.
 
Em entrevista à Agência CanalEnergia, Antônio Müller, presidente da Abdan, lembra que os atrasos na construção de Angra 3 não podem ser usados para dificultar um novo ciclo. "Usina cara é usina parada. A usina de Angra 3 teve a sua construção parada por várias vezes e anos. A decisão de novas usinas não pode levar em consideração prazo e cronograma de Angra 3", observou.

Müller também quer a continuidade das negociações para que o agente privado possa ser dono dos empreendimentos. "A Abdan continua buscando a alteração na Constituição Brasileira para permitir a participação privada no setor", ressaltou ele, que completou que os projetos devem ser feitos em parcerias das empresas privadas com a Eletronuclear. O executivo disse que para deslanchar o segmento é preciso superar gargalos como ter uma agência reguladora forte, desenvolvimento de recursos humanos e assegurar recursos para investimento. 

O presidente da Abdan participará da 12ª edição do Encontro Nacional dos Agentes do Setor Elétrico, que será realizada nos dias 27 e 28 de maio, no Rio de Janeiro (RJ), uma copromoção entre as 18 principais associações do setor elétrico e o Grupo CanalEnergia. Müller apontou que a matriz elétrica precisa possuir usinas de base seguras, ambientalmente amigável, econômica com fator de capacidade alto e acima de 90%. "A única tecnologia que atende estes requisitos é a nuclear. Além destes aspectos é importante ressaltar que o Brasil domina a tecnologia e possui importantes reservas de urânio", apontou.