Brasil e Paraguai estudam a renovação das condições comerciais do acordo de Itaipu

Possibilidade de venda dos excedentes para o mercado livre não é descartada pelo diretor-geral brasileiro, Luiz Fernando Viana

Brasil e Paraguai já estão estudando como será feita a renovação do tratado de Itaipu, que pode resultar na  revisão do anexo que trata das condições comerciais do acordo bilateral a partir de 2023. “Em Yaciretá, como não foi feita a revisão, continua o acordo [entre Paraguai e Argentina sobre a hidrelétrica binacional]. O mesmo acontece no nosso acordo com o Paraguai: se não  for feita a revisão em 2023, nós não ficamos sem acordo. Continua a valer o Anexo C atual.  Não é isso que a gente deseja, e sim fazer essa revisão, atendendo o que for melhor para os dois países”, explicou o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Luiz Fernando Viana, em conversa com  jornalistas.

Uma possibilidade que não é descartada pelo executivo é a venda dos excedentes, que vão integralmente para o mercado cativo das distribuidoras, ao mercado livre. Viana observa, porém que  essas sobras podem deixar de existir em uma cenário de dez anos, se considerado um cenário mais alto de consumo  de energia no Paraguai.

A parte comercial do tratado inclui o valor de compra pelo Brasil do excedente de energia da usina que pertence ao país vizinho. Hoje a tarifa de Itaipu é calculada pelo custo, possibilidade que pode ser mantida tanto no caso de revisão quanto de manutenção do acordo atual. O que estará em discussão, segundo Vianna, é o que pode ser considerado custo da usina, que investe projetos  que vão além da geração de energia, como o programa de desenvolvimento do veículo elétrico.

“O Paraguai também tem interesse em vender energia ao Brasil. Tem preço, mercado e tem um cliente assíduo com ele. A energia de Itaipu é muito importante para o Brasil, como é importante para o Paraguai que o Brasil compre”, afirmou o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira  Júnior.  Ele lembrou que os dois países têm quase seis anos para  fazer essa discussão. De qualquer maneira, acrescenta Ferreira Junior,  essa energia não vai sair do sistema, porque se existe demanda hoje é por causa do mercado brasileiro. “A relação  do Brasil com o Paraguai sobre o tema de Itaipu é excepcionalmente boa.”

Viana entregou ao ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, o primeiro veículo elétrico a ser usado como carro oficial em Brasilia. A entrega aconteceu nesta segunda-feira,  5 de junho. Wilson Ferreira Júnior também participou da cerimônia.