Mercado de telecomunicação para setor elétrico está aquecido

Pesquisa mundial da Silver Spring aponta que apenas 6% das utilities consideram suas redes preparadas para atender os desafios tecnológicos dos próximos cinco anos

O mercado de telecomunicações para o segmento de energia está aquecido. As empresas começaram a buscar soluções mais amplas para a implantação de uma rede mais confiável em suas áreas de concessão ao passo que a regulação impõe indicadores de qualidade de energia mais restritivos. Essa é uma das constatações da Silver Spring no Brasil. A empresa norte americana encomendou uma pesquisa mundial para  a Zpryme. Foram consultadas 350 distribuidoras ao redor do mundo que apontaram a fibra ótica e a rede RF Mesh como as tecnologias mais adequadas para suportar a introdução de um nível de tecnologia e dados cada vez maior.
De acordo com Gadner Vieira, vice presidente de vendas da empresa no Brasil, esse resultado mostra que há um campo enorme para crescimento dessa rede no Brasil. Mas, lembrou ele, esse é um movimento que não ocorre apenas localmente, até mesmo em utilities da América do Norte há preocupação com a infraestrutura de comunicação para atender a esses novos requisitos de mercado.
“Aqui o desafio é maior, temos até hoje algumas iniciativas isoladas de empresas como a da Light ou da CPFL de resto são projetos pilotos apenas que foram desenvolvidos no programa de P&D da Aneel”, comentou. “Hoje há empresas que estão nos consultando para ter informações mais detalhadas como um plano de negócios e não apenas como P&D, pois perceberam que é uma necessidade diante de questões regulatórias”, acrescentou o executivo.
Essa necessidade, apontou a Silver Spring, vem da pressão para que as concessionárias atualizem  seu modelo de negócios e serviços ao incorporar mais fontes renováveis, recuperar mais rapidamente o serviço depois de eventos climáticos e atender as expectativas mais altas dos consumidores. O advento do smart grid e a geração distribuída aumentaram, por sua vez, os volumes de dados trafegando na rede, fato que passou a exigir maior nível de confiabilidade e disponibilidade dessa comunicação. E que os resultados desta pesquisa demonstram que as distribuidoras estão cientes destes desafios e conscientes das etapas necessárias para superá-los.
Vieira lembra que esse aumento do tráfego de dados vem ocorrendo de forma gradual, estava limitado apenas ao nível de escritórios e aos poucos foi chegando ao nível da operação de plantas de geração e na distribuição com equipamentos de automação da distribuição como religadores, chaves de comando e outros periféricos. Isso, contou ele, faz uns cinco a seis anos e de lá para cá o aumento de dados aumentou em cerca de cinco vezes. Ao mesmo tempo, destacou, o uso da telefonia celular aumentou o que levou a um estrangulamento da infraestrutura e, consequentemente, menor disponibilidade da rede para outros usos.
Segundo ele, a RF Mesh, rede que já é usada, por exemplo, pela CPFL Energia, foi apontada como a mais indicada pelas concessionárias no mundo todo, pois mostrou-se segura e robusta. Outra vantagem é a redução de custos por operação realizada.
Na pesquisa da Silver Spring, as distribuidoras reconhecem que suas redes de comunicação devem mudar para tornar possível a próxima geração de rede de distribuição. Somente 6% consideram suas distribuidoras extremamente prontas com suas redes atuais de comunicação para suportar as mudanças nos próximos 5 anos. Dentre as respostas obtidas as distribuidoras utilizarão RF mesh para vários usos de redes de campo. Os principais casos de usos incluem automação da distribuição, detecção de falhas e AMI.
A prioridade, apurou a pesquisa, é a confiabilidade do sistema para redes de comunicação com 91%, seguida por custo com 78% das respostas. Outra constatação com o avanço da comunicação é que a segurança cibernética é um dos três pontos mais sensíveis para a distribuidora, ficou com 56% das respostas.