AES admite que pode vender participação na Eletropaulo

Empresa apontou a distribuidora paulistana como operação descontinuada no Brasil em seus resultados anuais de 2017

Um dia após a AES Corporation divulgar seus resultados anuais nos Estados Unidos a distribuidora Eletropaulo, outrora controlada pela companhia norte-americana, divulgou Fato Relevante para esclarecer dois pontos: o primeiro é que a concessionária ainda não divulgou seus resultados anuais e o segundo é o fato de a AES apontá-la como operação descontinuada na estrutura do grupo.
De acordo com  a companhia sediada na América do Norte, a Eletropaulo gerou receita de US$ 3,3 bilhões e lucro líquido de operações de US$ 3 milhões. E ainda, que a reclassificação da distribuidora como operação descontinuada representa sim a intenção da companhia em vender sua participação acionária na concessionária, onde está presente desde a sua privatização em 1998, quando foi adquirida pela Lightgás, com participação da AES e dos grupos EDF, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e Reliant Energy. Em 2001, em uma nova composição acionária, passou a ser controlada apenas pela AES Corporation.
Em seu comunicado publicado na manhã desta quarta-feira, 8 de fevereiro, a Eletropaulo afirmou que as demonstrações financeiras relativas ao exercício social de 2017 ainda encontram-se em fase de elaboração e sujeitas às aprovações necessárias pelo seu conselho de administração e assembleia. Além disso, explicou que os resultados indicados pela AES Corporation derivam de demonstrações financeiras elaboradas sob os padrões contábeis norte-americanos (USGAAP), que podem diferir substancialmente dos padrões contábeis brasileiros (Brazilian GAAP), sob os quais são elaboradas as demonstrações financeiras da distribuidora. E que desde que a empresa norte-americana deixou de ser acionista controladora, em 27 de novembro último, não é disponibilizado o resultado em USGAAP à AES Corporation. “Como consequência, os números divulgados pela AES Corp não refletem os resultados efetivos da Companhia no exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2017 conforme os padrões contábeis brasileiros (Brazilian GAAP)”, declarou em nota.

Já quanto a intenção de venda da participação que a norte-americana detém, a concessionária afirmou que tem conhecimento de que a AES Corp está avaliando alternativas em relação a seu investimento, inclusive com a contratação de assessores financeiros e legais, e que tais alternativas podem envolver uma oferta pública secundária por parte da empresa norte-americana, mas que não tem qualquer informação sobre se alguma decisão foi tomada nesse sentido. Atualmente, os três maiores acionistas da distribuidora são o BNDESpar com 18,73%, seguido da AES com 16,84% e a União Federal com 7,97%. Mas a maior parcela, 47,7% está indicada como outros.

Na demonstração de resultados referentes a 2017 a AES Corporation afirmou que a Eletropaulo (que tirou AES de seu nome em novembro) figura entre as operações descontinuadas e que isso pode ser sim interpretado como uma declaração de intenção de venda. A declaração em tradução livre da resposta dada durante a teleconferência de resultados e reportada no comunicado da distribuidora é: “ Sim. Eu não quero ser muito específico pois é uma companhia aberta, mas é algo do tipo – Se pensar em operações descontinuadas você pode chegar a conclusão.”