EDP quer propor mercado para risco hidrológico

Para CEO da empresa, ambiente regulatório brasileiro faz ser mais fácil aprovar investimento no Brasil que em Portugal

A EDP quer propor a criação de um mercado de risco hidrológico. De acordo com o presidente da empresa no Brasil, Miguel Setas, a ideia é de dar esse risco para quem consegue tomá-lo, como as comercializadoras e os agentes que conseguem geri-lo, de modo a mitigar o impacto da distribuidora e do consumidor final. “Ela pagaria um valor fixo por esse risco e ele seria gerenciado por alguém que tenha uma visão de mercado”, explica Setas, que participou nesta quinta-feira, 13 de setembro, do Encontro Nacional dos Altos Executivos do Setor Elétrico, no Rio de Janeiro (RJ).

A proposta já foi apresentada para a Agência Nacional de Energia Elétrica e para a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. Segundo ele, a recepção à proposta foi boa. Haveria um leilão do risco hidrológico, mas ainda seria necessária uma regulamentação para o tema. No momento em que um agente compra o risco, a distribuidora paga um custo fixo para repassar o risco e quem vai gerenciá-lo passa a fazer a sua gestão. “Alguém compraria o risco da distribuidora e ela passaria a pagar uma parte fixa só”, ressalta.

Ainda segundo Setas, outra sugestão da empresa portuguesa para reduzir impactos na distribuição é um leilão de térmicas a gás natural de baixo custo. Isso possibilitaria a retirada das mais caras de operação. A estimativa da EDP é que em 2017 o déficit da conta bandeira ficou em R$ 4,5 bilhões. Com 3 GW dessas térmicas de baixo custo, o déficit poderia ser reduzido em cerca de R$ 2,6 bilhões. “É mais uma solução”, avisa.

Para o presidente da EDP, o setor elétrico brasileiro deve se orgulhar do que foi feito na última década. Os resultados obtidos na expansão da geração e da transmissão e a consolidação da fonte eólica são alguns dos motivos. Segundo ele, o ambiente regulatório brasileiro permite que seja mais fácil para a empresa aprovar investimentos no Brasil que em Portugal, seu país de origem ou na Espanha, onde ela também atua. Apesar dos elogios, ele alerta para a necessidade de uma solução par ao GSF, que segundo ele, até 2018, deve gerar no setor um impacto de R$ 100 bilhões.