Sterlite tem apetite por novos projetos, mas com seletividade

Empresa tem a meta global de chegar a US$ 10 bilhões em investimentos em 4 anos e Brasil divide importância ao lado de país de origem, a Índia

“Nós não somos uma empresa agressiva, mas diligente e para conseguir mais projetos seremos seletivos”. Foi assim que o CEO da Sterlite Power, Pratik Argawal, descreveu a forma como a companhia atua e as perspectivas para os próximos passos da transmissora que foi a maior vencedora do último leilão dessa modalidade de ativos no Brasil. A ideia da empresa é de continuar a investir em novos projetos até alcançar a meta global de US$ 10 bilhões em ativos em até quatro anos. Atualmente possui segundo seus cálculos 60% dos aportes já realizados na Índia e 40% no Brasil, primeiro mercado internacional no qual a transmissora, que atua a apenas oito anos neste negócio, investiu.

Aparentemente a empresa deverá centrar seus esforços nesses dois mercados para alcançar o objetivo global de ativos. A ideia é de que dessa meta global 80% fique concentrado entre esses dois países enquanto os 20% restantes sejam distribuídos por outros mercados, podendo, incluir a América Latina ou mesmo a África. Sempre em transmissão de energia.

“O Brasil é o nosso primeiro investimento fora da Índia, um dos maiores mercados do mundo. Aqui encontramos uma regulação robusta e que traz conforto aos investidores internacionais para criar uma estrutura neste mercado de bilhões de dólares”, comentou o executivo a jornalistas em entrevista coletiva para apresentar oficialmente Rui Chammas, o executivo que ficará à frente da subsidiária local.

Argawal disse que a empresa não tem uma meta específica para cada país, pois isso depende das especificidades de cada um em seus leilões e da competitividade que ocorrer nessas oportunidades, pois não é possível de ter controle sobre essas variáveis. Mas indicou que as oportunidades são analisadas e que a ideia era de ter, dentro desses 80%, metade em cada um dos dois maiores mercados nos quais atua, ou seja, algo próximo a US$ 4 bilhões. O Brasil, explicou ele, deverá ser um dos principais mercados da empresa até por sua extensão territorial e abertura a investimentos via leilões quando comparado a outras regiões. A China seria uma opção, mas lá o mercado é fechado.

Por aqui, a Sterlite já possui nove projetos conquistados em leilões da Aneel que somam 3.918 quilômetros de extensão e investimentos que somam algo próximo a US$ 1,7 bilhão. A RAP que a empresa tem é de R$ 653,7 milhões.

Apesar de não dar pistas sobre seu interesse no próximo leilão de transmissão, afirmou que este é um bom momento para se investir no Brasil quando questionado sobre a desvalorização cambial pela qual passa o Real ante a moeda norte americana o que torna os investimentos feitos aqui mais baratos para empresas do exterior. Ele destacou que o ambiente regulatório e o respeito aos contratos são os pontos positivos do mercado nacional, um dos melhores para os aportes em transmissão e com grande potencial futuro.

A empresa surgiu no mercado nacional no primeiro leilão de 2017, oportunidade na qual conquistou três lotes, inclusive a maior linha de corrente alternada do país com 1.800 km de extensão conectando os estados do Pará e Tocantins. Mais recentemente ganhou seis lotes no leilão de 28 de junho. Em comum, o comentário no mercado era de desconfiança quanto a capacidade da empresa, uma novata no tradicional mercado nacional de transmissão, conseguir executar as obras que assumiu. Principalmente as maiores.

O CEO de Infraestrutura Global da Sterlite, Ved Tiwari, destacou por sua vez que a empresa tem como característica a cultura de entregar projetos dentro do prazo e para isso estuda profundamente os projetos nos quais atua. A palavra bastante repetida pelos três executivos foi planejamento. Segundo eles, as equipes buscam desenvolver os projetos com riqueza de detalhes e buscar maior eficiência de forma constante para que a execução seja a mais precisa possível.

A antecipação dos projetos, acrescentou Argawal, vem de pequenos detalhes que podem ser constantemente aprimorados ao longo do processo de construção de um ativo e que ao final da construção, ao se colocar tudo junto, a soma dessa redução de tempo que se obteve é que leva ao resultado. “Não há mágica para a antecipação”, definiu. “Essas ideias a cultura da companhia são as mesmas soluções que trazemos para o Brasil”, indicou.

Rui Chammas, o CEO da operação brasileira da Sterlite, assim como Argawal, destacaram que a empresa tem seu foco na execução das obras de forma a adiantar os prazos de entrada em operação dos projetos. Uma indicação dada é para o projeto Arcoverde que está em andamento do estado de Pernambuco cuja expectativa é a de poder antecipar em até um ano ante o compromisso firmado com a Aneel.  Segundo Argawal, em todos os projetos da empresa há a intenção de antecipar o cronograma, podendo variar entre meses para uns e anos para outros.

Outro empreendimento que deverá ter as obras iniciadas em breve do leilão de abril de 2017 é o chamado Vineyards, no Rio Grande do Sul, que está em fase de engenharia e estado avançado de licenciamento ambiental para o início das obras. A expectativa é de obter o documento junto ao órgão estadual em algumas semanas. Para o lote 3 do leilão de transmissão do final do ano passado a busca por licenciamento também é classificado como em estágio avançado. “Enquanto isso, em paralelo, vamos avançando na engenharia e detalhamento do projeto, bem como nas negociações e acordos com os fornecedores”, destacou Chammas.

O financiamento deve ser feito com o BNDES que tem uma relação bastante próxima com o segmento de infraestrutura no Brasil. Além disso, destacou ele, a empresa também deve buscar recursos em bancos de fomento para os projetos que estão localizados nas regiões Norte e Nordeste do país.