ONS: vazões melhoram em março, mas ficam acima da média apenas no Sul

Previsão de carga desacelerou para crescimento de 0,3% sendo impactado pela expectativa de retração de 1,1% no submercado Sudeste/Centro-Oeste

A previsão inicial para o mês de março é de uma relativa melhoria nos níveis de operação nos reservatórios do Sistema Interligado Nacional. De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico, a estimativa é de que o índice de armazenamento continue avançando no mês ao passo que a carga aumenta em um ritmo inferior ao de fevereiro. A previsão inicial é que o nível de armazenamento dos reservatórios o Sudeste volte a subir fechando março em 37%.
Os dados iniciais que foram utilizados para a primeira versão do Programa Mensal de Operação de março sugerem que as vazões deverão ser melhores que as reportadas em fevereiro. No Sudeste/Centro-Oeste, a estimativa é de que a energia natural afluente fique em 80% da média de longo termo, o 19º menor nível para o mês em um histórico de 89 anos. No Sul, a previsão aponta para 104% da MLT, no Nordeste o índice melhora, mesmo assim ainda está menor do que a metade da média histórica com 42%, e no Norte a ENA estimada é de 76% da média dos 89 anos.

A previsão de carga é de crescimento de apenas 0,3%. São esperadas expansões de0,2% no Sul e de 6,4% no NE. Nas demais regiões estão projetadas retrações a mais significativa no SE/CO com 1,1% e de 0,4% no Norte. Caso essa previsão se confirme a carga para o mês poderá alcançar 70.878 MW médios.

No SE/CO, a perspectiva é de que o nível chegue ao final de março em 37%, um aumento de quase 10 pontos porcentuais ante o previsto como nível inicial a partir das 24h desta sexta-feira, 22 de fevereiro. No segundo maior submercado, o Sul, esse nível esperado é de 45,9%ante os atuais 39,3%. No NE é de 50,7% ante inicial de 43,5%. Já no Norte está o maior volume com 64,4%, aumento de quase 24 p.p. ante o volume de comparação de início.
Apesar da melhoria, o Custo Marginal de Operação médio projetado para o mês de março deverá ficar acima de R$ 360/MWh, sempre lembrando que essa é a projeção a partir do atual momento e que tende a ser revisado ao longo das semanas. Para o período do mês, o CMO médio ficou em R$ 360,75/MWh para SE/CO e Sul, R$ 180,44/MWh no Nordeste e zerado para o Norte.

Em função da decisão do CMSE de manter ligadas as usinas por garantia energética no SE/CO estar valendo quando a reunião no  ONS ocorreu, a previsão era a de ter 1.230 MW médios da UTE Fernando Gasparian  (SP, 572 MW) e da UTE Mário Lago (RJ, 929 MW) na previsão de despacho. Contudo, ao final da tarde desta sexta-feira o comitê decidiu pelo desligamento. Excluindo essa geração a programação era de 4.472 MW médios dentro da ordem de mérito, outros 4.015 MW médios por inflexibilidade e mais 73 MW médios por restrição elétrica. No NE, a Termofortaleza (CE, 223 MW) passa a operar em todos os patamares de carga, bem como a UTE Porto do Pecém I (CE, 720 MW).

Em termos de meteorologia, a previsão para os próximos 10 dias pelos modelos ETA40/ GEFS1o, até 3 de março indica a ocorrência de precipitações de intensidade fraca nas bacias dos rios Grande e Tietê nos dois primeiros dias. Já o avanço de uma frente ria pelas regiões Sul e Sudeste a partir do dia 25 deve ocasionar precipitação de intensidade fraca a moderada nas bacias do Jacuí, Uruguai e Iguaçu, bem como chuva fraca nas demais bacias hidrográficas de interesse do SIN.

Em geral, a previsão é de que o mês de fevereiro deverá fechar com anomalia positiva de precipitação nas bacias do Sul e no São Francisco Nas demais, deverá ficar abaixo da média. Climatologicamente, explicou o ONS, o trimestre iniciado em março e que vai até o final de maio se caracteriza por valores de precipitação inferiores aos observados no trimestre anterior em boa parte do Brasil Central. Ao mesmo tempo as temperaturas máximas diminuem gradativamente em todo o setor Centro Sul do país.

Os sinais no Oceano Pacífico sugerem que há um acoplamento do oceano com a atmosfera que caracteriza um ano típico de El Niño de intensidade fraca. Entre os pontos estão a convecção tropical e o padrão de vento nos altos e baixos níveis da atmosfera. Bem como a temperatura da superfície do mar que permaneceu acima da média em todo o oceano pacífico equatorial no mês de fevereiro.