Apagão na Venezuela interrompe suprimento de energia para Roraima

O país vizinho está incomunicável, segundo a Eletronorte e a Roraima Energia, e não há previsão de retorno da importação

Um apagão registrado na Venezuela na última quinta-feira, 7 de janeiro, interrompeu o suprimento de energia elétrica do país para Roraima. O estado passou a ter toda a carga atendida desde ontem pelo parque termelétrico local e não há informações sobre as causas da interrupção, informou à Agência CanalEnergia o diretor Técnico e Comercial da Roraima Energia, Rodrigo Moreira.

“A Venezuela está incomunicável. Nós falamos agora à tarde com o centro de despacho da Eletronorte no Pará, que concentra o despacho da Região Norte, e eles também não estão conseguindo nem [fazer] contato com a Venezuela”, relatou Moreira nesta sexta-feira, 8.

Segundo a BBC Brasil, a Corpoelec, companhia elétrica estatal, disse em sua conta no Twitter que o blecaute foi provocado por sabotagem na hidrelétrica de Guri, de onde sai a energia importada pelo Brasil.

Moreira, da Roraima Energia, informou que ontem ocorreram três desligamentos na interligação com a Venezuela. Um deles aconteceu pela manhã, outro à tarde e o último à noite. Como tem ocorrido nos últimos meses, explicou, assim que há uma interrupção da energia do país vizinho, ela é recomposta com as térmicas locais. “Só que, desde ontem, a Venezuela não consegue restabelecer [o suprimento]”, disse o diretor.

O parque térmico de Roraima tem 216,5 MW de geração instalada disponível, e a carga máxima registrada em 2019 foi de 201 MW. Durante o dia, o consumo oscila muito, e a ponta, que na quinta atingiu 195 MW, hoje à tarde caiu para 193 MW. “O clima hoje está mais ameno e baixou um pouquinho a carga. Ao meio dia estava em 150 MW”, contou Moreira.

As térmicas a óleo de Roraima já tem operado, em regime normal, para complementar a geração da Venezuela, em razão das restrições no suprimento de energia do país vizinho. No ano passado, como havia dúvidas em relação à capacidade das usinas na operação a plena carga para substituir a importação, foram realizados testes de operação continuada por mais de 20 dias, entre os meses de setembro e outubro. Os resultados foram satisfatórios, afirma o diretor da distribuidora.

As usinas têm, segundo ele, autonomia de, no mínimo, oito dias de combustível em seus tanques, para que não haja interrupção em eventuais incidentes, como o da queda de uma ponte de acesso à capital Boa Vista, que foi consertada pelo Batalhão de Engenharia do Exército. Em dias normais, a média de consumo das térmicas é de 400 a 500 mil litros dia, no modo de complementação do que a Venezuela não consegue entregar. Em uma situação de operação plena, como a atual, o consumo fica entre 900 mil e 1 milhão de litros de óleo, dependendo da carga.