MME quer retomar estudos para UHEs de até 800 MW no Sudeste

Segundo governo, há 15 GW de potencial entre as usinas de 200 MW a 800 MW no Sudeste do país e metade pode ser financiado pelo BNDES

O governo federal tem mapeado 15 GW em novas usinas hidrelétricas somente no submercado Sudeste/Centro-Oeste e quer colocar metade desses aproveitamentos no PDE 2030. Foi o que revelou o secretário de Desenvolvimento e Planejamento Energético do MME, Reive Barros. São usinas potenciais cuja capacidade instalada podem variar de 200 MW a 800 MW, que os estudos não foram desenvolvidos porque são caros e não havia a certeza de que poderiam ser colocadas em leilões futuros.

“Nós temos o inventário. Agora queremos iniciar os estudos. Em pequenas centrais hidrelétricas é o próprio empreendedor que faz o estudo e assume o risco, nas usinas estruturantes é o governo que toma essa medida. As usinas de médio porte são as que chamamos de órfãs, pois com custo de R$ 10 milhões os empreendedores não realizam os estudos por não saberem se as centrais irão a leilão”, explicou ele, após sua participação na abertura do 11º Encontro Anual do Mercado Livre, evento realizado pelo Grupo CanalEnergia – Informa Markets.

E para conseguir estimular esses estudos o governo está conversando com o BNDES para que possam ser financiados. A ideia é a de colocar essas iniciativas em andamento no ano que vem, mas não precisou uma data para isso. Barros destacou que esses 15 GW estão divididos em 40 projetos, desse total a perspectiva inicial é de ter pelo menos 20 desses potenciais em análise de viabilidade. Com isso, o governo já pensa no próximo PDE, o de 2030. O de 2029 está em consulta pública.

Em sua apresentação, o representante do MME destacou que a versão para 2029 do PDE apresenta uma retração da participação da fonte hídrica no Brasil. Isso porque as fontes mais baratas de geração estão longe do centro de carga. E com a retomada desse potencial que não está aproveitado a tentativa é de aproveitar os potenciais que ainda existem no país. Inclusive, voltou a defender a realização de leilões regionais de acordo com o atributo natural da cada região do país.

Ele lembrou que no sul há carvão, no Nordeste temos a eólica e a solar que precisam ser complementadas, seja com a fonte hídrica ou a térmica por conta da necessidade de energia firme que possa ser despachável. No Sudeste há hidráulica e o gás natural do pré-sal. “Essas são sinalizações da natureza e temos que aproveitar as características regionais de geração com o sinal locacional adequada e, por isso, o leilão regional, que reduz as perdas e necessidade de investimentos em transmissão”, apontou ele.

No sentido de destacar o impacto que as térmicas têm no mercado nacional, ele destacou que o leilão do ano que vem A-4 chegará para substituir térmicas mais caras. E citou que em 2014 e 2015 o país gastou R$ 22 bilhões em despacho térmico com usinas mais caras. “Se tivéssemos as térmicas a gás natural mais baratas seriam R$ 10 bilhões, o impacto de 6% a menos do que tivemos em tarifas. Então vemos que a térmica tem um componente importante. Então temos que aproveitar as oportunidades”, acrescentou.