Nova metodologia vai auxiliar despacho fora da ordem de mérito

Cenário hidrológico terá curva bianual de referência, com a definição de nível de armazenamento mínimo ao final do segundo ano

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico aprovou na reunião mensal realizada na última quarta-feira (4) metodologia que vai auxiliar a avaliação da necessidade do acionamento de usinas termelétricas fora da ordem de mérito. Ela estabelece um cenário hidrológico de referência, com uma curva bianual que será definida de forma a garantir que ao final do segundo ano (no caso, 2021) haverá um armazenamento mínimo de 10% nos reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste; de 30% no Sul e de 22,5% no Nordeste. Na região Norte, será utilizada a curva referencial de armazenamento estimada para a hidrelétrica de Tucuruí.

Segundo o CMSE, “a curva não terá caráter determinativo, mas trará maior transparência à tomada de decisão quanto à eventual necessidade de despacho térmico adicional.” Em nota divulgada nesta quinta-feira, 5 de dezembro, o Comitê informou que a opção pela curva de dois anos vai permitir a busca de condições de armazenamento que garantam o suprimento adequado num horizonte maior de tempo, com o acoplamento entre os meses iniciais e finais (dezembro/janeiro) para o ano seguinte. O cenário de referência vai utilizar as médias mensais de vazões dos cinco anos mais críticos nos últimos 20 anos. A curva será atualizada a cada ano pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico.

O CMSE vai acompanhar com maior frequência as condições de atendimento ao sistema quando os níveis de armazenamento forem inferiores aos valores definidos na curva de referência, “observando os custos associados, as previsões de chuvas, os armazenamentos das usinas hidrelétricas de cabeceira, dentre outras variáveis importantes para tomada de decisão.”

A expectativa do ONS é de que com a mudanças recentes nos modelos de operação e formação de preço haja necessidade menor de despachos fora da ordem de mérito. A nota técnica com o detalhamento da metodologia será finalizada pelo Operador e ficará disponível para os interessados.

Os novos critérios que vão subsidiar as decisões sobre o despacho de usinas mais caras foram desenvolvidos por um grupo de trabalho formado por técnicos do Ministério de Minas e Energia, do Operador Nacional do Sistema, da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, da Agência Nacional de Energia Elétrica e da Empresa de Pesquisa Energética.