Coronavírus pode afetar estoque de painéis da WEG

Segundo empresa, a atividade no fornecedor asiático ainda não retornou ao normal e os estoques atuais permitirão a atividade no país ao ritmo atual até o final do trimestre

A produção de painéis solares na China ainda não voltou ao nível normal por conta da crise do coronavírus naquele país. Por isso, a WEG se mostra cautelosa sobre os efeitos que esse fator pode ter no Brasil e sobre seus negócios uma vez que a geração solar foi o maior destaque nos resultados do segmento de GTD da companhia no ano de 2019.
Segundo a companhia, os estoques atuais permitem sua operação normal até o final do primeiro trimestre. “Com esse problema do coronavírus a atividade na China ainda não voltou à capacidade este ano”, comentou o diretor superintendente Administrativo Financeiro, André Luís Rodrigues. “Se acontecer algum problema de desabastecimento isso só será sentido no segundo trimestre, quando atualizaremos o assunto”, acrescentou ele durante teleconferência com analistas de mercado sobre os resultados do ano passado.
Foi justamente o negócio de geração distribuída que ajudou WEG a surpreender o mercado com os resultados anuais. O diretor de Finanças e de Relações com Investidores, Paulo Polezi, destacou que as vendas por conta do chamado pré-buy (ou pré-compra) de equipamentos por conta da perspectiva de mudança na REN 482 por parte da Aneel foi o principal motivo que catapultou esse nicho de mercado. Ficou à frente até mesmo das vendas de equipamentos de transmissão e distribuição de energia.
“Solar como um todo vem ganhando relevância nos últimos anos e é a que melhor tem desempenhado no segmento de GTD no Brasil”, acrescentou.
A empresa não divulga em valores nominais a participação da GD dentro do portfolio de GTD. Mas atribuiu o crescimento a essa compra antecipada. E para 2020, com o adiamento da revisão da 482, que era esperada para os primeiros meses, não sabe apontar o quanto da demanda era antecipação e investimento natural desse mercado. “GTD veio forte e surpreendeu bastante pelo solar e entendemos que continuará. Esse mercado está aquecido mas não dá para afirmar que o pré-buy continuará acontecendo”, avaliou Polezi.
Enquanto isso, relatou Polezi, a empresa continua a negociar novos pedidos de leilões de transmissão que ocorreram nos dois últimos anos. Até por isso a empresa decidiu adquirir a fábrica de transformadores em Betim-MG, para ter capacidade de atendimento à demanda. Segundo relatos da fabricante, ainda há contratos em aberto do leilão de dezembro do ano passado, mas como esta não foi uma disputa de grande porte e os lances ofertados foram agressivos, a tendência é de que as margens sejam pressionadas para a empresa.
Contudo, a empresa continua a ver com otimismo os próximos anos para o segmento com a perspectiva de realização de dois certames este ano, cujos investimentos estimados são de R$ 10 a R$ 11 bilhões. Em paralelo ele lembra que ainda há disputas pelos leilões de geração, principalmente o de energia nova, marcado para o mês de maio.
“Em outubro de 2019 tivemos um A-6 que resultou na contratação de 2,9 GW. Essa foi uma sinalização importante de aumento de demanda de energia no país e que soma R$ 11 bilhões de investimentos. Isso traz oportunidades para nós seja em projetos hídricos, solares, e eólicos”, ressaltou o executivo da Weg.