ONS: queda de consumo e pandemia zeram custo de operação

Apesar da situação no Sul ainda inspirar cuidados, custo de operação ficou equacionado em todo o país

A operação do mês de abril começa com o custo marginal de operação zerado em todo o país. Esse é o resultado da atual conjuntura do país com as afluências elevadas na maior parte do Brasil e, principalmente, a queda de 8,1% na carga conforme projeta o Operador Nacional do Sistema Elétrico, para os próximos 30 dias, além da retração de 6% em maio.
Os valores foram revelados há pouco durante o segundo dia da reunião mensal do ONS para a Programação Mensal de Operação referente a abril, realizada de forma remota em função da pandemia do coronavírus.
Durante o primeiro dia da reunião, o Operador revelou que a projeção de queda da carga deve-se à retração da demanda por conta da crise que tem levado ao fechamento de diversos segmentos da economia. A maior queda ante o mesmo período do ano passado está no submercado Sudeste/ Centro-Oeste com 10% ante uma estimativa anterior de crescimento de 2%. Ao total a estimativa é de que a carga em abril de 2020 fique em 63.135 MW médios. São esperadas quedas de 7,1% para o Sul, de 5,5% no Nordeste e de 1,8% no Norte.
A previsão é de que a energia natural afluente continue baixa apenas no Sul do país, como tem sido nos últimos meses, sendo 25% da média de longo termo para o final de abril. No SE/CO a estimativa é de fechar o mês em 88% da MLT, praticamente a mesma previsão do Nordeste, onde são esperados 89%. Já no Norte está a maior afluência projetada, 117% da média histórica.

Já em termos de armazenamento nos reservatórios do SIN, a curva segue a tendência das vazões. Apenas no Sul é projetada redução ante o volume inicial, passando de 18,3% para 16,9%. No restante continua o replecionamento com projeção de encerrar abril com volumes de 57,5% no SE/CO, de 78,3% no Norte e de 88,2% no NE.

A estimativa de despacho térmico para a semana operativa que se inicia neste sábado, 28 de março, é de 6.880 MW médios, sendo que 1.784 MW médios por ordem de mérito, outros 4.836 MW médios por inflexibilidade e outros 260 MW médios por restrição elétrica.
Já a meteorologia para abril e maio aponta que no SE/CO há expectativa de temperaturas próximas à média e chuvas de normal a abaixo da MLT. No Sul existe a mesma avaliação quando a chuvas, mas com temperaturas podendo fica acima da média. No NE e Norte é esperada a normalidade para os dois indicadores.
De acordo com a previsão da Climatempo, na semana que vem a expectativa é de que as chuvas deverão cair em bom volume no Sul e parte do Sudeste, sendo nas bacias do Alto Uruguai, Iguaçu, Itaipu, Paraná e Paranapanema.
Segundo a meteorologista Patrícia Madeira, serão duas ondas de chuvas que podem somar 100 mm nas bacias do Uruguai, Baixo Iguaçu e Itaipu. Nas outras áreas a previsão é de não registrar nem metade desse volume. Já entre os dias 4 e 10 de abril, volta o padrão atual, mais concentrado no Norte e NE. Na semana seguinte, de 11 a 17, ela apontou que é esperada mais chuva no Sudeste, sem ser volumosa, mas que representa vazões adicionais e inesperadas já que neste período não costuma ocorrer essa precipitação.