Setor elétrico sofrerá pressões até 2021, aponta Moody’s

Agência de classificação de risco estima impacto de R$ 16 bilhões somando perda de receita e aumento da inadimplência com a pandemia do novo coronavírus

A agência de classificação de risco Moody’s Investors Service aponta que as pressões de liquidez no setor elétrico regulado brasileiro estão crescendo até 2021. Em um relatório divulgado nesta segunda-feira, 1º de junho, analisa que as concessionárias deverão sofrer com a menor geração de fluxo de caixa em 2020, à medida que o surto de coronavírus gerar desequilíbrios operacionais e econômicos, o que levará a maiores necessidades de refinanciamento nos próximos 12 a 18 meses.
“Estimamos que a pandemia atinja R$ 16 bilhões ao somar as perdas de receitas e inadimplência do setor durante o segundo trimestre, com apenas uma recuperação gradual no segundo semestre do ano. No entanto, ajuda governamental oportuna e apoio regulatório estão disponíveis para mitigar os riscos de liquidez e ajudar a sustentar a estabilidade financeira no setor”, aponta a agência em seu relatório.
Na análise da Moody’s, a geração operacional de caixa das concessionárias brasileiras cairá no segundo trimestre devido a um declínio acentuado na demanda, aos desafios de cobrança de contas e aos rígidos compromissos de compra de energia. Contudo, aponta que o setor deverá vivenciar uma melhora gradual no final do ano, à medida que as medidas de distanciamento social sejam reduzidas.
Ainda assim, continua, espera que a redução da demanda fique em mais de 5% quando comparado com o ano passado. E que sinais de melhoria no consumo serão mais visíveis a partir de 2021, ao passo que a economia comece a se recuperar. Além disso, admite taxas de inadimplência de 7%, índice que está bem acima da média histórica.
A Moody’s cita dados da CCEE que aponta reduções de consumo na casa de 10% a 20% em estados maiores desde o início de abril. No total, a estimativa é de que as perdas somaram R$ 4,1 bilhões de receita ao mês até o início de maio, ou o equivalente a 20% da receita média mensal na primeira metade de 2019, de acordo com o Ministério de Minas e Energia.
Por outro lado, aponta que a ajuda do governo e os subsídios regulatórios mitigarão o risco de liquidez e aumentarão a qualidade do crédito das empresas. Até agora, lembra a Moody’s, o governo e os órgãos reguladores aprovaram cerca de R$ 3,3 bilhões em apoio financeiro por meio da liberação de fundos e subsídios setoriais para consumidores de baixa renda. E que um suporte adicional será concedido após o decreto 10.350 que estabeleceu regras para novos empréstimos sindicalizados ao setor por meio da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, a Conta-Covid.
Na avaliação da agência, embora algumas definições regulatórias ainda estejam pendentes, este é um desenvolvimento importante para iniciar um plano de ajuda financeira de R$ 15,4 bilhões que ajudará a garantir a estabilidade das empresas de distribuição e a mitigar o risco sistêmico.
Mas, ressalta que na falta de suporte financeiro, as necessidades de refinanciamento aumentarão até 2021, juntamente com uma maior alavancagem. “O colchão de liquidez que foi construído pelas concessionárias de energia elétrica até 30 de março seria consumida principalmente nos próximos 12 a 18 meses. As emissões de dívida de curto prazo estão ajudando, mas serão necessários fundos adicionais para combater o déficit, levando a necessidades de refinanciamento de cerca de R$ 20 bilhões em 2021”, calcula a Moody’s.