Seca no Sul já afeta 18 hidrelétricas, afirma ONS

ANA mantém vazão mínima de 150m³/s na UHE Foz do Chapecó (RS/SC) para prolongar armazenamento na barragem e acima do rio Uruguai

A crise hídrica que assola o Sul do país já provocou a paralisação ou intermitência de 18 hidrelétricas nas duas principais bacias do subsistema, dos rios Iguaçu e Uruguai, com os reservatórios operando somente para a manutenção de restrições ambientais ou de outros usos d’água, informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) durante a 9ª reunião da Sala de Crise da Região Sul, realizada na última quinta-feira (04) para avaliar os impactos da seca e buscar soluções para os problemas advindos com o fenômeno

Segundo o ONS, as bacias dos rios Capivari, Iguaçu, Jacuí e Uruguai – que formam o submercado sulista – tiveram seu armazenamento reduzido de 29,8% para 17,1% entre 1º de janeiro a 3 de junho. Na bacia do Iguaçu, responsável por 47% da capacidade, estão nessa situação as usinas Santa Clara (PR), Fundão (PR), Jordão (PR), Foz do Areia (PR), Segredo (PR), Salto Santiago (PR), Salto Osório (PR), Salto Caxias (PR) e Baixo Iguaçu (PR).

No rio Uruguai, que possui 28% do armazenamento, os aproveitamentos de Garibaldi (SC), Campos Novos (SC), Barra Grande (RS/SC), Machadinho (RS/SC), Itá (RS/SC), Foz do Chapecó (RS/SC), Passo Fundo (RS), Monjolinho (RS) e Quebra-Queixo (SC) também estão com a geração suspensa ou com operação intermitente em virtude da estiagem.

Patamar mantido até 18 de junho – Durante o encontro, realizado por videoconferência, foi recomendada a manutenção do teste de redução da defluência mínima da UHE Foz do Chapecó (RS/SC), localizada no rio Uruguai, no patamar de 150m³/s até 18 de junho, data da 10ª reunião, quando será realizada nova avaliação sobre o tema.

A redução temporária busca prolongar o armazenamento de água na barragem e nos reservatórios acima e para manter por mais tempo as condições para os diversos usos hídricos abaixo da barragem. A Agência Nacional das Águas (ANA) ressaltou que o teste poderá ser interrompido caso sejam identificados impactos, especialmente para as captações de abastecimento público.

Por sua vez, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) informou que as chuvas de maio permitiram à região alcançar níveis próximos à média esperada para o período, e apontou recuo nas chuvas abaixo da média no Sul entre abril e maio. Além disso, o Centro apresentou previsão pluviométricas significativas para os próximos sete dias em toda a região e em bacias hidrográficas importantes, afirmando também que a tendência para as demais semanas de junho aponta para valores mensais totais próximos da média esperada, mas que não devem ser suficientes para resolver a crise hídrica.