Chuvas no Nordeste fazem geração eólica recuar em junho, afirma CCEE

Precipitações atípicas diminuíram oferta de energia produzida pelos ventos na primeira quinzena do mês, num cenário de incremento em 35% na fonte solar e quedas de 8,5% no consumo geral e de quase 40% na indústria têxtil

Com a ocorrência de chuvas atípicas na região Nordeste na primeira metade de junho, a geração eólica apresentou queda de 16,6% na comparação com o mesmo período no ano passado, indo de 7.028 MW médios para 5.863 MW médios, afirmam os dados preliminares do boletim InfoMercado Quinzenal, divulgado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE.

O levantamento indica que os índices pluviométricos inesperados em algumas regiões decorreram de um avanço de frentes frias do Sul para o Sudeste, que acabaram por enfraquecer a formação de um sistema de alta pressão, resultando em menos ventos para o sistema, fenômeno também verificado em maio.

Por sua vez a geração hidráulica teve redução de 7,7%, para 42.584 MW médios, reflexo da queda na demanda energética por conta das medidas restritivas de enfrentamento ao coronavírus. Já a fonte solar registrou avanço de 35% no período, chegando a 686 MW médios.

Os dados indicam ainda uma retração de 6,1% na produção de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) na primeira metade de junho, caindo de 63.422 MW médios no ano passado para 59.572 MW médios em 2020. Já a geração de autoprodutores diminuiu 0,9%, indo para 1.241 MW médios.

 


Demanda – O consumo de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) caiu 8,5% ante as mesmas semanas do ano passado, passando de 60.153 MW médios para 55.013 MW médios, efeito do distanciamento social e de um dia útil a menos do que em junho de 2019, já que o feriado de Corpus Christi foi adiantado esse ano em São Paulo e várias cidades devido à pandemia, o que impactou o consumo médio no sistema como um todo.

No mercado regulado a queda foi de 8,2%, para 37.790 MW médios, sentindo a migração de consumidores para o mercado livre. Expurgados os movimentos, a variação negativa seria de 6,4%. Já no Ambiente de Contratação Livre (ACL) a demanda recuou 9,3%, para 17.223 MW médios. No entanto, ao se expurgar o impacto da migração dos cativos, o mercado teria queda de 13,2%.

No levantamento dos ramos de atividade, quase todos apresentaram quedas representativas no mercado livre, com as maiores taxas vindos dos setores têxteis (39,5%), veículos (37,1%), serviços (22,4%) e madeira, papel e celulose (15,3%).