Tarifas devem subir entre 6% e 7% no segundo semestre, calcula Thymos

Itaipu que tem a energia cotada em dólar representa o maior peso dentro desse índice de 50% a 60% dependendo da distribuidora e a participação dessa energia em seu mix

Um levantamento feito pela Thymos Energia estima que as tarifas de energia elétrica podem subir, em média, entre 6% e 7% durante o segundo semestre de 2020. São basicamente três os efeitos que têm maior influência nesses índices, o maior deles é a energia de Itaipu, cotada em dólar que vem apresentando forte alta. O segundo mais representativo é o aumento dos custos de transmissão, seguido pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que apresentou o menor dos pesos nesses itens.
Segundo a responsável pelos estudos de tarifas na consultoria, Ana Carolina Silva, a energia da UHE binacional representa cerca de 50% a 60% dos aumentos estimados, dependendo do volume de energia de determinada distribuidora. “Realmente é de Itaipu que temos o maior impacto para os reajustes. Ano passado já tivemos uma elevação com o dólar na casa de R$ 4 e agora estamos com a cotação da moeda norte americana em R$ 5,70. Então temos um impacto significativo nesse semestre, dos 6% estimados 4% devem-se a Itaipu”, comentou a consultora.
A Thymos avalia que a pandemia de covid-19 e seus desdobramentos impactaram expressivamente as estimativas para as tarifas. Antes da chegada do coronavírus ao País, as projeções eram de possíveis quedas nos reajustes para esse ano. Entretanto, essa situação mudou e se a conta-covid não tivesse sido aprovada, os reajustes para 2020 poderiam ser, em média, até 3% mais elevados.

Segundo a avaliação da consultoria, a adoção da conta-covid mitiga a maioria dos efeitos, mas ainda haverá pressão sobre as tarifas, reforçando que a alta do dólar impacta nos reajustes das distribuidoras. Somente Itaipu, continua, representa mais de 11% do insumo consumido no Brasil. Além disso, a decisão de manter a bandeira tarifária verde até dezembro deste ano também deverá contribuir para a alta nas contas de energia. Em contrapartida, continua a Thymos, as estimativas para o PLD e o GSF mais amenos, dão um pouco de alívio, evitando que o aumento seja ainda maior.

Segundo a executiva, os aumentos em 2021, quando começa a ser pago o empréstimo de R$ 14,8 bilhões da conta-covid, devem ficar próximos a ao que teremos ao longo deste semestre, algo na casa de 5%. Somente a partir de 2022 é que os aumentos deverão ficar mais contidos. Hoje a estimativa é de elevações de 2% na média. Para obter os resultados, a consultoria considerou o banco de dados das 18 principais distribuidoras do País, incluindo nesse cálculos os reajustes recentes concedidos à Cemig-D e a Enel São Paulo.