Eneva contra ataca e faz nova proposta por AES Tietê

Prêmio subiu de 10% para 17% em relação à proposta feita na semana passada, envolve a emissão de ações mais cerca de R$ 2 bilhões em dinheiro

A Eneva informou nesta segunda-feira, 27 de julho, que apresentou ao BNDESPar novas condições para aquisição dos 28,41% de participação que o banco tem na AES Tietê. De acordo com a Eneva,  caso a sua proposta seja aceita, ela vai submeter à geradora alvo uma nova proposta de incorporação envolvendo as duas companhias.

A nova proposta prevê a relação de troca implícita correspondente a 0,057504313 novas ações ordinárias de emissão da Eneva para cada ação ordinária ou preferencial de emissão da AES Tietê, com um total de 114.751.730,30 novas ações ordinárias de emissão da Eneva, mais uma quantia de R$ 1,99 bilhão. Esse valor corresponde a R$ 1 por cada  ação ordinária ou  preferencial ou R$ 5 por Unit. Essa operação traria um prêmio de 17% sobre o valor de mercado das empresas em 23 de julho de 2020.

Na semana passada, a Eneva voltou a manifestar interesse na incorporação com a AES Tietê. A proposta anterior previa relação de troca implícita correspondente a 0,06539522 novas ações ordinárias de emissão da Eneva para cada ação ordinária ou preferencial de emissão da AES Tietê, ou 0,32697609 por unit, totalizando 130.498.292 novas ações ordinárias de emissão da Eneva, mais uma parcela em dinheiro de R$727,9 milhões, equivalente a R$0,36 por cada ação ordinária ou preferencial ou R$ 1,82 por Unit. A relação de troca contemplaria um prêmio de 10% sobre o valor de mercado das duas companhias na data de 23 de julho de 2020

Além da Eneva, a própria AES Tietê estaria negociando a compra das ações do BNDESPar, com uma proposta mais vantajosa por envolver apenas o pagamento em dinheiro. Em junho, o banco contratou assessoria financeira para vender sua parte na geradora.

Em março, a Eneva tinha apresentado uma oferta pela AES Tietê, que acabou rejeitada pelo conselho da empresa por unanimidade. Na ocasião, além da recusa, ainda atacou a proposta, classificando-a como retrocesso na sua estratégia de políticas renováveis e que ela estaria sendo subavaliada. Atualmente a empresa ligada ao grupo norte americando AES Corp conta com 3,7 GW em operação, é uma das maiores geradoras do país e atua nas fontes hídrica, eólica e solar. A Eneva, com 2,8 GW, tem atuação na área térmica, além da exploração e produção de gás.