CMSE autoriza geração de térmicas mais caras e importação

Decisão foi aprovada em reunião extraordinária e vale a partir deste sábado, 17 de outubro

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico autorizou o despacho de geração termelétrica fora da ordem de mérito e a importação de energia da Argentina e do Uruguai sem substituição, tanto para atender a demanda da Região Sul, quanto em razão das regras de operação adotadas para as hidrelétricas Furnas e Mascarenhas de Moraes. A decisão foi tomada em reunião extraordinária nesta sexta-feira, 16 de outubro. O acionamento de térmicas mais caras será aplicado a partir da próxima semana operativa iniciada no sábado, 17.

Em nota divulgada na tarde de hoje, o Ministério de Minas e Energia informou que a situação será reavaliada semanalmente, em reuniões técnicas, para “verificar a necessidade da continuidade de sua adoção, bem como avaliar a adoção de ações adicionais.”

Uma parte da geração térmica e da importação será alocada preferencialmente no subsistema Sul, considerando a Programação Diária da Operação, o que deve reduzir o custo operacional total do sistema elétrico. Ela também será feita respeitando as restrições operativas, de forma a reduzir a geração hidrelétrica na região e evitar  queda no nível de armazenamento equivalente abaixo dos 30%.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico também vai gerar mais térmicas e usar a importação para compensar o descasamento entre os modelos computacionais e a adoção de regras de operação diferenciadas, adotadas em setembro para as UHES Furnas e Mascarenhas de Moraes, na região Sudeste. Neste caso específico, o acionamento será por razões energéticas, com o objetivo de recompor perdas para o sistema relativas a restrições  associadas aos usos múltiplos da água, que não foram capturadas nos modelos Newave/Decomp e Dessem.

Segundo a nota do MME, “o despacho fora da ordem de mérito contribuirá para a preservação dos estoques armazenados nas cabeceiras dos rios Grande e Paranaíba e também para a manutenção da navegabilidade da Hidrovia Tietê-Paraná.”

Dados do ONS mostram que os armazenamentos dos reservatórios equivalentes das usinas mantêm, em sua maioria, valores próximos ou inferiores aos de 2019, especialmente na região Sul. São esperadas para os próximos dias chuvas irregulares na região Sudeste, que não terão impacto imediato no aumento das vazões. Há previsão também de manutenção de temperaturas elevadas, principalmente no Sudeste e Centro-Oeste, o que deve ter impacto no aumento da carga, considerando ainda o retorno gradual das atividades econômicas e a flexibilização das restrições de isolamento social.

A expectava é de que no final de outubro o armazenamento fique em 23,2% no Sudeste/Centro-Oeste, em 19,8% no Sul, em 52,4% no Nordeste e em 32,5% no Norte. Na reunião ordinária do CMSE no início deste mês a estimativa era de que outubro fecharia com energia máxima armazenada de 24,8% (SE/CO), 22,9% (S), 49,6% (NE) e 33,1%(N).

Para a Região Sul, foi recomendada a redução da geração hidráulica diante do cenário de poucas chuvas. Segundo o operador, “o armazenamento previsto para o final de outubro de 2020 é inferior ao Volume Mínimo Operativo e à premissa adotada para o Sul (EAR 30%) quando da elaboração da metodologia, aprovada pelo CMSE, para avaliação do despacho termelétrico fora da ordem de mérito.”