CEA não garante fim do racionamento, mesmo com reforço de térmicas

Presidente da distribuidora atribuiu dificuldades a comportamento do consumidor e falou em consumo “anormal”

O governo espera reforçar a carga de energia no Amapá já a partir deste sábado, 21 de outubro, quando os geradores a óleo contratados pela Eletronorte começarão a entrar em operação. A Companhia de Eletricidade do Amapá não garante, porém, que o racionamento será suspenso depois disso, mesmo com grande parte da carga já restabelecida, e a responsabilidade seria do “consumo anormal” registrado após o blecaute do início do mês, na avaliação do diretor-presidente da CEA, Marcos Pereira.

Os equipamentos que estão sendo instalados nas subestações de Santana e Santa Rita, pertencentes à empresa, tem 45 MW de potência e serão progressivamente acionados, segundo o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, até que o estado atinja a carga normal de consumo, que é de cerca de 250 MW.

“Com certeza, como foi no final da semana passada, que já teve uma melhora na produção de energia, acreditamos que no sábado agora isso progressivamente vai ser aumentado, e até o dia 26 a população do Amapá vai ter a energia de volta à normalidade e com segurança energética”, afirmou em entrevista em Macapá na noite de quinta-feira, 19. Albuquerque retornou ontem ao estado e hoje pela manhã visitou as duas instalações da distribuidora.

Pereira foi questionado na mesma entrevista sobre a manutenção do racionamento no estado, e atribuiu as dificuldades da empresa em cumprir o rodízio no fornecimento de energia ao comportamento do consumidor. “Ele tem usado seus equipamentos, principalmente o ar condicionado, na sua capacidade máxima, e todos os seus aparelhos de uma forma anormal. Se ele continuar fazendo isso, ou seja, se ele continuar com essa forma de utilização, talvez a carga que ficou acrescida não seja a capacidade necessária para suprir tudo isso”, disse o executivo.

A consequência do que Pereira chamou de “anormal” pode ser comprovada, segundo ele, quando foi estabelecido o rodízio no fornecimento de energia de seis em seis horas. Esse intervalo de fornecimento alternado está atualmente em três horas, e quando chove e a temperatura cai a distribuidora tem conseguido atender até 90%, 95% da carga, disse.

Em compensação, acrescentou, quando o calor aumenta o ar condicionado é ligado, e aí talvez, por medo de faltar energia, o consumidor regula o aparelho em 16 graus, gastando muito mais e estressando a carga.

Ministro Bento Albuquerque acompanha instalação de geradores na SE Santa Rita, da CEA (AP) (video/foto: Saulo de Vargas/MME)

O Amapá passou por um novo blecaute generalizado na última terça-feira, 17, que teria ocorrido nas rede da distribuidora. Segundo o ministro, as causas da ocorrência estão sendo investigadas pela CEA e também pela Agência Nacional de Energia Elétrica e o Operador Nacional do Sistema Elétrico, e os resultados serão apresentados com transparência.

Perguntado sobre o risco de que o problema volte a se repetir antes do restabelecimento de 100% da carga, Albuquerque respondeu que o sistema é feito para operar de forma segura e interrupções de energia ocorrem não somente no Amapá, mas em qualquer parte do mundo. Ele lembrou que há um comitê de monitoramento permanente do setor elétrico, e se for detectada alguma falha ela será corrigida.