CMSE mantém operação plena do parque térmico

O colegiado prorrogou o reconhecimento de custos fixos de UTEs sem contrato e aprovou incentivo à resposta de demanda

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico decidiu manter as medidas adotadas desde outubro para enfrentar a degradação do volume dos reservatórios das hidrelétricas do Sistema Interligado. Atualmente, estão sendo estão acionadas todas as termelétricas disponíveis no sistema, independentemente de preço, e importada energia da Argentina e do Uruguai.

Em reunião extraordinária na última segunda-feira, 7 de dezembro, o CMSE destacou a importância da permanência dessas ações excepcionais, para mitigar o processo de redução dos armazenamentos dos reservatórios equivalentes e garantir a governabilidade das cascatas hidráulicas.

Além de manter a geração fora da ordem de mérito, o CMSE decidiu prorrogar até abril de 2022 a Portaria 504/2018, que trata do reconhecimento de custos fixos de termelétricas sem contratos, conhecidas como usinas merchant.

O CMSE também determinou que as ofertas de redução de consumo dos consumidores enquadrados no Programa de Resposta da Demanda não participarão do rateio da inadimplência do Mercado do Curto Prazo. A medida vale até 30 de abril de 2022, mesmo período de duração do programa implementado pela Aneel na região Nordeste, e deve funcionar como incentivo a esses consumidores. A agência reguladora estuda com o ministério a ampliação do programa para outras regiões.

O colegiado já tinha anunciado a flexibilização de restrições hidráulicas de um conjunto de usinas importantes para o SIN. É o caso de Furnas, Itaipu, das UHEs da bacia do São Francisco, de Ilha Solteira e de Três Irmãos. Há também tratativas para aumentar a disponibilidade de combustível para geração térmica.

Crise hídrica

Em nota divulgada pelo Ministério de Minas e Energia, o CMSE informou que a previsão para os próximos dias indica melhores perspectivas de chuvas, especialmente na região Sudeste, e significativa evolução das afluências na região Sul. Em termos de afluências, no entanto, é esperado o 4º pior dezembro desde 1931 para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste.

Em novembro, o armazenamento nas bacias do SIN ficou em 17,7% Sudeste/Centro-Oeste; 18,3% no Sul; 52,2% no Nordeste e 28,9% no Norte. Para o fim de dezembro são esperados 17,6% (SE/CO), 23,8% (S), 44,3% (NE) e 20,5% (N) da Energia Armazenada Máxima.