ANA altera condições de operação de UHEs

A nova vazão de Furnas e Mascarenhas de Moraes vai vigorar até maio, para recuperar reservatórios

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico estabeleceu condições de operação complementares às previstas nos atos de outorga das hidrelétricas Furnas e Mascarenhas de Moraes, alterando a quantidade de água liberada nos reservatórios. A decisão vai valer até 31 de maio, ou até a revogação da resolução da ANA, para permitir a recuperação do nível das barragens durante o período chuvoso.

No caso de Furnas, a faixa de operação normal vai considerar um nível de armazenamento igual ou superior a 762 metros, e a vazão máxima semanal do reservatório será em média de 500 metros cúbicos por segundo (m³/s). Na faixa de operação de atenção (cota inferior a 762m³/s e igual ou superior a 750 m³/s), a vazão máxima semanal ficará em média em 400 m³/s.

Para Mascarenhas de Moraes, quanto a cota estiver em pelo menos 663 metros (71% do volume útil) a operação será normal, e o limite de liberação de água será de 500m³/s, na média. Na faixa de atenção (armazenamento inferior a 663m e igual ou superior a 653,12 m) o limite será de 370m³/s. As vazões poderão variar 5% para mais ou para menos.

No dia 11 de fevereiro, o nível de Furnas estava em 756,98 metros, com 27,55% do volume útil. Mascarenhas alcançou a cota de 657,69 metros, com 29,86%.

Segundo a ANA, a adoção de condições especificas de operação atende demandas identificadas em reuniões promovidas com representantes dos setores de turismo, geração de energia, navegação, piscicultura e indústria, dos movimentos e associações de usuários dos lagos das usinas, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Grande, dos governos locais, do legislativo e de outros ministérios e órgãos relacionados ao tema.

A agência informou em nota que já tinha se articulado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico antes da decisão, por meio de ofícios e reuniões realizadas desde novembro de 2020. O ONS havia apresentado então um proposta de regras de operação para reduzir o esvaziamento dos reservatórios e acelerar sua recuperação com o início das chuvas. Isso não aconteceu porque choveu abaixo da média histórica nas grandes bacias de interesse do sistema interligado.

A bacia do rio Grande enfrenta condições desfavoráveis desde 2018, com precipitações abaixo do esperado no período úmido, o que afetou o nível dos reservatórios dos empreendimentos.

A resolução da ANA prevê que, excepcionalmente, o ONS poderá operar os reservatórios em condições diferentes das estabelecidas para atendimento a necessidades elétricas/energéticas, por até sete dias. Caso seja necessária a operação excepcional por um período maior, o ONS deverá solicitar autorização especial à ANA, com no mínimo sete dias de antecedência, desde que a necessidade seja reconhecida pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico.