Estudos de próximos leilões dos sistemas isolados ficam prontos em maio, diz EPE

Problema é a incerteza quanto ao consumo dessas localidades ocasionada pela pandemia de covid-19, o que dificulta a projeção de mercado que as distribuidoras têm que declarar

A Empresa de Pesquisa Energética estima finalizar já em maio os estudos para o próximo ciclo de leilões para os sistemas isolados. Após essa etapa esses resultados serão apresentados ao Ministério de Minas e Energia que avaliará a necessidade de realizar novos certames e os volumes envolvidos para colocar em disputa.

Essa dinâmica de leilões segue quase a mesma metodologia que ocorre para os leilões de energia nova para o Sistema Interligado Nacional. O MME tem contado com as distribuidoras que atendem as localidades, que devem apresentar a demanda e aí se tem a decisão de realizar o certame ou não. Portanto, não há ainda estimativa de quando ocorrerá um novo certame, até porque a pandemia trouxe mais dificuldades às concessionárias de estimar a demanda futura.

“Com a pandemia o nível de incerteza é alto quanto à demanda, mas demos o pontapé inicial para fechar a demanda e os próximos leilões”, comentou o diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, Erik Rego.

No leilão desta sexta-feira, 30 de abril, o que chamou a atenção foi a presença massiva da fonte óleo diesel. Esteve presente em dois lotes dos cinco disputados, sendo que um deles no Acre que tinha a maior potência requerida dentro do certame. Esse combustível foi apontado como necessário para o atendimento da demanda.

Segundo o secretário de Planejamento e Desenvolvimento do MME, Paulo César Magalhães, por enquanto não é possível deixar de ter essa fonte de geração para os sistemas isolados. A competitividade, disse ele, uma hora fará com que outras fontes, como as renováveis sejam mais viáveis comercialmente naquelas regiões, assim como já ocorreu no primeiro leilão.

Apesar dos valores da energia vendida no leilão, a avaliação geral é de que os preços da energia estavam bastante competitivos quando comparados ao que se praticava nessas localidades. Esse foi o resultado do processo competitivo.

Segundo Patrus Pimenta, da secretaria executiva de leilões, a competitividade no certame ocorreu em um dos lotes em disputa. De todas as disputas em uma houve diferença menor do que 5% entre duas propostas o que levaria para uma disputa lance a lance. Só que nesse caso disse ele, não houve interesse em apresentar novas propostas. O representante da Aneel disse não ser possível revelar o nome das empresas e nem ao menos o lote onde ocorreu o avanço à segunda fase do leilão.

O segundo leilão para atendimento dos sistemas isolados foi realizado com 100% dos lotes recebendo propostas de interessados. A lista completa e o resultado pode ser acessado aqui.