Nuclear aliviaria o uso de térmicas, diz ministro

Usinas dessa fonte ajudariam o país na operação de base e reduziria a necessidade de geração de energia por termelétricas a combustíveis fósseis

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse nesta quarta-feira, 12 de maio, que se o país tivesse colocado em prática o programa de desenvolvimento da fonte nuclear, o Brasil não precisaria usar todas as térmicas de que dispõe. Segundo ele, as seis usinas termonucleares que estavam projetadas no passado seriam capazes de reduzir a dependência do país em momentos de escassez hídrica como o que estamos vivenciando neste momento.

O país passa por um dos piores momentos de hidrologia nos 91 anos do histórico que é utilizado pelo setor. O período úmido não apresentou o volume esperado de chuvas para as principais bacias hidrográficas de interesse do SIN. Com isso os reservatórios estão nos mais baixos níveis de armazenamento desde a crise de 2015. Esse problema já vem sendo monitorado pelo CMSE desde outubro do ano passado, quando liberou o despacho fora da ordem de mérito. Na última reunião do grupo, autorizou maior despacho térmico retirando os limites de geração bem como a importação de energia da Argentina e Uruguai para ajudar no atendimento da demanda.

“Nosso problema hoje é por termos uma matriz elétrica altamente renovável e não termos a fonte nuclear”, destacou ele em entrevista à rádio BandNews FM. “Se tivéssemos as seis usinas hoje não estaríamos passando por esse momento. A nuclear é uma fonte limpa e nosso problema é conjuntural”, destacou.

Albuquerque ainda destacou que o Brasil possui investimentos em fontes intermitentes e que, por isso, é necessário um parque gerador que possa atuar quando da indisponibilidade, principalmente, a solar e eólica. E lembrou que o país tem 85% da matriz com base renovável, muito acima do que a média mundial de 24%. Afirmou que o problema das emissões de gases de efeito estufa não estão no setor elétrico. E ressaltou ainda que por esta razão, o despacho térmico não afeta a imagem do país no exterior, quando foi questionado sobre essa geração térmica diante do compromisso assumido na cúpula de líderes para o clima.

Aliás, esse papel de relevância do Brasil, citou o ministro, foi reconhecido por outras nações ao colocar o país como líder de um grupo para mostrar os caminhos para melhorar a descarbonização da matriz elétrica no mundo.

Ele comentou rapidamente sobre a privatização da Eletrobras, disse que tem trabalhado junto ao relator da MP 1031, o deputado federal Elmar Nascimento (DEM-BA) e que a premissa básica é a de que o processo não pode onerar o consumidor de energia. E que a medida é importante para que a empresa volte a ter capacidade de investimento.