Captura de carbono é essencial para alcançar metas de Acordo de Paris, aponta consultoria

Segundo relatório da consultoria, apenas evitar a emissão de gases não é o suficiente para o objetivo de limitar aquecimento a 2 graus Celsius

A captura de carbono da atmosfera á uma das medidas essenciais para que se alcance a meta de 2° C do Acordo de Paris. Não adianta simplesmente evitar a emissão do gás de efeito estufa. Um dos caminhos para efetivar essa captura está no desbloqueio de potenciais economia de escala para a ação de CCS. Essa é a conclusão de uma pesquisa da consultoria de recursos naturais Wood Mackenzie.

Segundo relatório da empresa, no cenário de Transição de Energia Acelerada de 1,5° C, o mundo ainda estará produzindo – e usando – apenas 30 milhões de barris de petróleo por dia em 2050. Ao mesmo tempo, o consumo global de gás natural totalizará cerca de 3,2 bilhões de metros cúbicos de gás natural, apesar do crescimento significativo das energias renováveis.

Segundo a avaliação de Amy Bowe, líder em carbono da consultoria, para manter o aquecimento global dentro dos limites do Acordo de Paris, soluções de energias renováveis não são suficientes. Ela diz que devemos pensar na prevenção e na remoção de carbono, o que significa acelerar o aumento da utilização e armazenamento de captura de carbono, começando agora.

Para a Wood Mac, os modelos de negócios deverão ser desafiados no sentido de inovar para alcançar a redução dos níveis de carbono. Em 2019, o mundo emitiu cerca de 33 giga toneladas de CO2. Os atuais projetos de CCS em operação estão captando apenas uma fração disso, cerca de 40 milhões de toneladas de CO2 por ano. Na análise da empresa, isso se deve tanto a barreiras técnicas quanto à falta de incentivo comercial.

Em temos de tecnologias de captura mais estabelecidas, destaca que estas são intensivas em energia, o que aumenta os custos, especialmente para aplicações com fluxos de fonte de CO2 de baixa concentração, como cimento ou aço. Já as tecnologias mais recentes consomem menos energia, mas têm taxas de captura mais baixas e são menos escalonáveis. A consultoria aponta que essas barreiras técnicas são agravadas pela falta de ambientes de políticas de apoio e modelos de negócios.

A Wood Mackenzie acredita que os clusters CCS podem desempenhar um papel fundamental no aproveitamento de economias de escala. As sinergias são maiores onde as fontes estão próximas umas das outras e um local de armazenamento viável. Afirma ainda que mapeou as fontes de emissões usando nossos dados em nível de ativos para identificar potenciais sumidouros com as propriedades técnicas corretas para CCS em grande escala.