Copel fala em leilões e solar de grande porte como prioridades

Companhia busca novos fornecedores de gás para térmica Uega participar do Leilão de Capacidade e mira Lote 1 do certame de Transmissão

Com o objetivo de sair dos 13% atuais para 25% do seu portfólio composto por eólica e solar nos próximos três anos, a Copel está buscando um projeto de grande porte na fonte fotovoltaica, além de focar na sua participação nos certames de capacidade e transmissão nesse ano e pelo menos mais seis em 2022, disse o presidente da companhia, Daniel Slaviero, nessa quinta-feira, 11 de novembro, em teleconferência ao mercado.

“Nossa prioridade, além dos leilões, é achar bons projetos de geração solar, tanto pela rapidez de construção quanto principalmente pelo perfil de geração”, comentou Slaviero, destacando que o PLD horário ficou no teto em 2021 e é um curso normal que a fonte solar, que gera energia à tarde, assim como a hidráulica, tenha mais valor no mercado de energia.

O executivo lembrou que as atuais condições macroeconômicas mudaram e que a empresa tem que se atentar para a abertura maior da curva de juros, inflação e uma pressão grande do Capex de fornecimento para construção. “A expectativa é que as taxas aumentem e é nessa conjuntura que analisamos as oportunidades”, refere.

No Leilão de Capacidade, marcado para 21 de dezembro, a companhia irá colocar a Usina Elétrica a Gás de Araucária (Uega), de 484 MW, para um contrato de 15 anos, e está buscando um novo fornecedor de gás para a térmica além da Petrobras, que detém 20% de participação no ativo.

“Como a entrega do leilão é julho de 2026 temos um pouco mais de tempo para buscar outras opções de suprimento num mercado que tem suas particularidades de garantias”, explicou Daniel.

Em relação a um eventual Capex adicional do empreendimento para o certame, o diretor financeiro e das subsidiárias, Moacir Bertol, afirmou que o desempenho operacional, técnico e financeiro da UTE tem sido muito significativo desde o último trimestre do ano passado, tendo operado quase de forma contínua nesse ano, com pequenas interrupções. “Ela capitalizou bastante e para fazer a manutenção em 2022 não precisará de recursos”, confirmou.

Ainda que o foco da estatal paranaense recaia em projetos brownfields, o presidente da Copel confirmou a participação no Leilão de Transmissão no final desse ano, analisando todos os lotes mas em especial o primeiro, que prevê linhas pelo Paraná, com investimento de R$ 1,6 bilhão e Receita Anual Permitida máxima de R$ 228 milhões.

Já com relação a Capex relevante para 2022, Slaviero reiterou que a companhia ainda está realizando o orçamento final mas tem como investimento base a manutenção dos projetos básicos de geração e transmissão, além da distribuição com o projeto de Smarts Grids e o Paraná Trifásico, somando mais de R$ 2 bilhões.

“Participaremos de dois leilões de transmissão no primeiro trimestre e outro no segundo de 2022, além de entrar com vários projetos de geração para os outros certames”, adiantou o executivo, referindo-se aos leilões de contratação de energia “A-3”, “A-4”, “A-5” e “A-6”.

Expectativa GSF e PLD

Perguntado sobre as expectativas para o risco hidrológico e de preço no ano que vem, o diretor Moacir Bertol salientou a melhora no armazenamento dos reservatórios do Sul com as chuvas de outubro e que a expectativa agora é saber como se comportará o regime pluviométrico na entrada para o período úmido.

“Hoje o nível de contratação de portfólio para o ano que vem é de 79% e esperamos um GSF realista de 70% a 71%, e considerando condições melhores entre 75% a 80%”, define, complementando que o PLD médio deve ficar entre R$ 415 MWh a R$ 420 MWh durante 2022.