Geração a biomassa cai 7,5% em 2021, afirma Unica

Cana gerou 79% da bioeletricidade ofertada à rede e poupou 14% da energia capaz de ser armazenada nos reservatórios das UHEs pela disponibilidade da fonte no período seco e crítico para o setor

A geração de bioeletricidade para a rede, incluindo os resíduos sucroenergéticos, biogás, lenha, lixívia, resíduos de madeira, capim elefante e casca de arroz atingiu 25,4 mil GWh em 2021, segundo levantamento da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) a partir de dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O volume é 7,5% inferior ao registrado em 2020, representando 4% da geração total no país sem considerar a modalidade de autoconsumo.

A produção pelo setor sucroenergético chegou a 20,2 mil GWh, conferindo 79,5% do total ofertado ao sistema elétrico no período, recuo de 10,6% em relação a 2020. Depois aparecem o licor negro – subproduto da indústria de papel e celulose – com 11,9% e numa variação estável, seguido pelo biogás, com 4,5% e crescendo 15,8% e 175% na produção de energia a partir da agroindústria.

Para o gerente de Bioeletricidade da Unica, Zilmar Souza, no ano da pior crise hídrica no setor elétrico brasileiro a biomassa da cana-de-açúcar poupou 14% da energia capaz de ser armazenada sob a forma de água nos reservatórios hidroelétricos do Sudeste/Centro-Oeste, por conta da maior previsibilidade e disponibilidade da fonte justamente no período seco e crítico para o setor.

“Do total injetado na rede 85% foram ofertados entre maio e novembro, meses que compõem justamente o período seco e crítico. Se o período a considerar for abril a novembro, o indicador sobe para 96%. Além do mais, a geração vinda da cana reduziu as emissões em 7 milhões toneladas de CO2, marca que somente seria atingida com o cultivo de 49 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos”, comenta Souza.

Biogás e demais biomassas tiveram os únicos crescimentos em relação a 2020 (Reprodução)

Acompanhando o perfil sucroenergético, 88,5% do total da geração a biomassa em geral para a rede esteve concentrada em apenas cinco estados da Federação durante o ano passado: São Paulo (43%), Mato Grosso do Sul (15%), Minas Gerais (13%), Goiás (11%) e Paraná (7%).

Capacidade instalada

Em fevereiro desse ano a capacidade instalada outorgada e em operação no país para a fonte é de 184.245 MW, representando 9% da potência outorgada do país. São 16.229 MW instalados, ocupando a 4ª posição na matriz, atrás das usinas hídricas, eólicas e a gás natural.

Para 2022 a previsão da Aneel é que a biomassa atinja um acréscimo de 807 MW, sendo 135 MW já instalados e os demais 672 MW para implementação até dezembro, todos com a viabilidade alta/média de entrada em operação comercial, representando 10% do total de acréscimo na matriz elétrica por todas as fontes de geração neste ano, ou 8.387 MW.

De 2021 a 2028 a fonte deverá acrescentar 3.239 MW ao sistema, em projetos que já entraram em operação comercial em 2021 ou têm viabilidade alta/média de entrada em operação comercial até 2028, significando um média anual de 405 MW no referido período.

Potenciais

De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), das 369 usinas de açúcar e etanol em operação em 2021, cerca de 220 ou 60% comercializaram eletricidade. Mais de 140 usinas não ofertaram excedentes de energia elétrica para a rede, aproximadamente 40% do total no ano.

O potencial técnico deste tipo de geração para a rede, com base em dados da safra canavieira 2020/21, pode ser estimado em 151 mil GWh. Considerando que a geração sucroenergética para a rede em 2020 foi de 22,6 mil GWh, o país aproveita 15% do potencial. No biogás o índice chega a 17,6 mil GWh até 2031, equivalente a 12% do consumo residencial brasileiro no ano passado.