BNDES anuncia primeira aquisição de créditos de carbono

Operação-piloto de R$ 10 milhões visa desenvolver mercado voluntário para comercialização de títulos verdes

O BNDES aprovou a operação-piloto para aquisição de até R$ 10 milhões em créditos de carbono, a primeira de sua história. As compras serão voltadas em um primeiro momento para títulos predominantemente de origem REDD+ (Redução de Emissões Provenientes de Desmatamento e Degradação Florestal), Reflorestamento e Energia.

Com a iniciativa o banco pretende apoiar o desenvolvimento de um mercado voluntário para comercialização destes títulos, além de chancelar padrões de qualidade para condução de projetos de descarbonização da economia a partir de 2022.

A compra dos créditos pela instituição acontecerá através de Chamada Pública. A estratégia é estimular a demanda para estes desenvolvedores, donos de terra com potencial para projetos ambientais e demais participantes do mercado. A operação também aposta na divulgação e transparência, de modo a tornar os atributos de negociação dos créditos acessíveis ao mercado.

Por fim vale ressaltar que a inciativa piloto é propícia para busca de melhorias e revisão de processos com vistas à consolidação da prática já a partir de 2022. Com um número cada vez maior de adeptos para comprovar suas responsabilidades ambientais, o mercado de carbono é uma tendência global, em que o Brasil pode estar vocacionado a ser referência.

“Cabe ao BNDES criar a estrutura para que o nosso país possa se beneficiar desta grande oportunidade e se tornar um dos maiores exportadores também desta commodity. Em consequência, teremos nossas florestas preservadas, levaremos renda à população que vive dela ou no entorno dela e criaremos uma economia verde pujante,” explica o presidente do BNDES, Gustavo Montezano.

Segundo ele, o banco possui papel fundamental para trazer clareza sobre fatores como precificação, tratamento administrativo, contábil e jurídico, além de aprofundar debates sobre novas soluções dentro deste mercado. Há uma divisão entre regulados, aquele nos quais os agentes emissores são obrigados a comprar créditos para a compensação de suas emissões por uma exigência regulatória, e os voluntários. Neste último, as motivações podem ser diversas, como o acesso a fontes de financiamentos verdes ou estratégia de posicionamento institucional.

A equipe do Projeto Carbono, grupo de trabalho com a participação de diversas áreas do BNDES, já interagiu com algumas empresas compradoras e vendedoras de créditos e vem analisando instrumentos financeiros e institucionais para atuação do banco na parte voluntária. A estimativa é que este mercado precise crescer mais de 15 vezes até 2030 para cumprir as metas do Acordo de Paris, que pressupõe o  equilíbrio entre emissão e remoção dos gases do efeito estufa até o ano de 2050.