Hidrogênio pode acelerar transição energética do Brasil, diz KPMG

Pesquisa aponta que Argentina, Brasil e Chile estão despontando como os produtores mais baratos até 2050

Considerando as mudanças climáticas, a necessidade de reduzir emissões de poluentes e o cumprimento das metas estipuladas no Acordo de Paris e recentemente destacadas na COP26, o mundo inteiro espera um maior desenvolvimento das energias renováveis. Nesse sentido, o aumento da produção de hidrogênio verde é tido por muitos especialistas como o grande movimento futuro para a transição energética e que exigirá reorganização de custos e preços de produção, mas também capacidade para eletrólise.

A conclusão vem da pesquisa “produção de hidrogênio com tecnologias limpas como forma de acelerar a transformação energética na região”, conduzida pela KPMG, e que aponta o avanço desse vetor energético contribuindo para o surgimento de novos setores que o demandam, substituindo o H2 cinza e outros combustíveis poluentes.

A publicação estima que cerca de 99% do H2 produzido mundialmente seja de baixo carbono até 2050. Setores como geração de energia, amplamente dependente de fontes fósseis, e os de indústria e transporte, entre outros, devem começar a mudar suas necessidades energéticas para esse combustível nos próximos 30 anos. Outro apontamento relevante está na necessidade de aumento de iniciativas de pesquisa e desenvolvimento na área e suas aplicações potenciais.

De acordo com o último relatório global de hidrogênio da IEA (Agência Internacional de Energia), a demanda global pelo H2 verde foi de 90 milhões de toneladas em 2020, sendo 90% desse total foi produzido a partir de fontes fósseis, principalmente gás natural.

A publicação da KPMG também destacou os níveis globais de produção e a demanda nas próximas décadas, citando 212 milhões de toneladas até 2030 e cerca de 530 milhões de toneladas até 2050, com uma contribuição crescente do hidrogênio de baixo carbono, especialmente de fontes renováveis. Seguindo essas premissas, ele deve representar 18% da demanda global total em 2025, 70% em 2030, 91% em 2040 e 99% em 2050.

Argentina, Brasil e Chile

O Brasil e a América Latina serão fundamentais nesse contexto, pois contam com recursos naturais abundantes e começam a se estruturar em busca de ser referência na produção e exportação futura da commodity. Contudo, a pesquisa indica que essa transição exigirá que os governos promovam novos marcos legais e políticas adequadas que incentivem os investimentos, como financiamentos públicos.

Argentina, Brasil e Chile estão despontando como os produtores mais baratos até 2050, segundo publicações especializadas sobre o tema. Por isso, uma estratégia regional integrada é recomendada para políticas domésticas, planejamento e condições regulatórias, legais e financeiras adequadas para estimular a nova tecnologia.

Principais projetos de hidrogênio de baixo carbono em operação ou desenvolvimento na América Latina (KPMG)

H2 eletrolítico

O levantamento também aponta que o combustível produzido por eletrólise, também conhecido como hidrogênio eletrolítico, vem ganhando espaço não apenas no total global demandado, mas principalmente na sua contribuição dentro das variantes de baixo carbono, superando inclusive o H2 azul para o final do período analisado. Nesse cenário, o H2 verde atingiria 61% da demanda global até 2050. Os setores que mais utilizam a molécula como matéria-prima em processos produtivos são a indústria química, refinarias e, em menor escala, o setor siderúrgico ou metalúrgico.