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O avanço das renováveis solar e eólica como as fontes mais competitivas e com benefícios ambientais além dos econômicos tem trazido uma sinalização preocupante. De acordo com a PSR, os requisitos de flexibilidade do sistema estão aumentando, porém os recursos para prover essa flexibilidade estão diminuindo. Esse tema faz parte da discussão sobre o que são ruídos e o que são sinais no evento do dia 15 de agosto, que desligou 22 GW de carga do SIN.

Segundo a publicação mensal Energy Report de agosto, os recursos de flexibilidade que o operador dispõe são menores do que possivelmente se imagina, devido a diversos fatores. Elenca entre esses as restrições ambientais, limitações das ferramentas computacionais, a falta de incentivos econômicos e penalizações, bem como há temas associados à gestão da informação sobre o sistema. Há limitações no modelo operativo de curto prazo, necessidade de aperfeiçoamentos na previsão de produção de energia e o alinhamento entre os modelos à realidade da operação.

Para a consultoria, é fundamental incluir no modelo operativo Dessem todas as restrições necessárias para a correta representação da operação hídrica do sistema. Essa fonte, é considerada como essencial para a gestão da variabilidade das fontes renováveis. Isso porque essas usinas passaram a atuar com “baterias de água” e, dessa forma, provedoras de recursos de flexibilidade.

“O modelo operativo Dessem, utilizado pelo ONS na programação operativa para o dia seguinte, representa de maneira incompleta as restrições operativas relacionadas com a gestão do sistema hídrico, como as defluências mínimas por questões ambientais que dependem do estado do reservatório, ‘unit commitment’ das unidades hidrelétricas e outras. Devido a estas limitações, a equipe técnica do ONS só retém as decisões operativas térmicas calculadas pelo modelo e refaz manualmente toda a operação hídrica, em conjunto com os agentes, um procedimento conhecido como ajuste pós-Dessem”, indica a PSR. A consultoria considera ser importante incluir no Dessem essas restrições para agilizar o processo o mais rápido possível. Essa mudança, destaca, está no âmbito da Cpamp.

Outro ponto importante para essa questão, de acordo com a PSR, é ter uma melhor representação nas incertezas dos valores horários de produção das fontes renováveis e da demanda. Atualmente, o modelo de curto prazo utiliza uma única previsão destes valores e realiza a otimização operativa tomando esses números previstos como verdadeiros. No entanto, ressalta que os valores que ocorrerão na realidade serão diferentes dos previstos e em alguns casos com uma diferença significativa. Por esse motivo, as decisões que são tomadas requerem uma série de correções na operação em tempo real, o que afeta o ponto ótimo.

“Outra consequência da hipótese de previsão perfeita é que os custos marginais de operação  horários resultantes do modelo serão menores do que os que resultariam se a incerteza das previsões fosse considerada. Em outras palavras, os sinais econômicos de curto prazo também são afetados”, destaca a consultoria.

Uma das ações que poderiam ser tomadas nesse caso é não haver apenas uma previsão, mas um conjunto de previsões no modelo. Esse comportamento já é visto em todos os serviços internacionais de chuvas, temperatura, ventos entre outros pontos. E que já existem metodologias adequadas para a tomada de decisão de curto prazo representando essas incertezas apontadas.

Ainda na questão relacionada ao uso de modelos computacionais, a PSR recomenda que sejam aplicados como complemento à experiência dos operadores e planejadores para assegurar um suprimento econômico e confiável de energia. Isso porque a situação mostra que há uma alteração extremamente rápida e inédita das características do sistema, resultantes da entrada de renováveis e GD. Essa aplicação de sistemas devem permitir a realização de simulações probabilísticas detalhadas da operação do sistema, com resolução horária (ou sub-horária) para milhares de cenários de produção renovável, levando em consideração tanto aspectos de potência ativa como suporte reativo e estabilidade no sistema.

“No entanto, a utilidade dos modelos computacionais depende crucialmente da qualidade de seus parâmetros de entrada, por exemplo, as características operativas dos equipamentos de geração e transmissão; os cenários cronológicos de chuvas, temperaturas, insolação e vento; inserção das GDs; etc.”, alerta a PSR ao relembrar o caso do chamado fator de fricção, quando os reservatórios de UHEs deplecionaram mais rápido do que o planejado porque o uso da água para produção de 1 MWh de energia era maior do que o previsto.

E aponta que em sua visão, a busca simplista por “culpados” impede que os problemas reais que levaram à ocorrência sejam analisados com a tranquilidade e profundidade necessárias, bem como a correta implementação de soluções para a o assunto. “A ‘caça às bruxas’ enfraquece as instituições e a governança do setor de energia em uma época em que elas estão sendo atacadas por diversos atores”, finaliza.