Ativistas pedem retirada de térmicas a carvão e a gás do leilão A-5

Certame marcado para a próxima sexta- feira, 29, tem 14 usinas fósseis entre os 802 projetos habilitados

Representantes de entidades ambientalistas, de comunidades tradicionais e de povos indígenas defenderam a retirada de nove termelétricas a gás natural e de cinco a carvão do próximo leilão A-5.  Esses empreedimentos, que somam 9,7 mil MW de potencia instalada, vão contribuir, segundo a diretora da 350.org Brasil e América Latina, Nicole Figueiredo de Oliveira, pela emissão de 54,6 milhões de toneladas de CO2 a mais na atmosfera, com aumento em 3% das emissões do país. 

O certame marcado para a próxima sexta-feira, 29 de abril, tem 802 projetos habilitados pela Empresa de Pesquisa Energética, potência total de 29,6 mil MW. Da lista fazem parte 693 projetos eólicos, duas hidrelétricas, 52 pequenas centrais hidrelétricas, 20 térmicas a biomassa, 14 movidas a combustiveis fósseis e uma a biogás.
 
Em manifestação realizada na última terça-feira, 26, durante a reunião semanal de diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica, entidades ligadas ao movimento global Liberte-se dos Combustíveis Fósseis tambem protestaram contra os projetos de exploração de gás não convencional, leiloados em 2013 pela Agência Nacional do Petróleo. Liminares judiciais obtidas pelos movimentos ambientalistas proíbem a exploração e a produção de shale gas em sete dos 15 estados onde estão localizados os blocos ofertados pela agencia reguladora na 12ª Rodada.
 
A coordenadora de Comunicação da Coalisão Não Fracking Brasil, Silvia Caciolari, explica que esses projetos atingem 372 cidades brasileiras e impactam diretamente 53  milhões de pessoas. Eles ficarão localizados em quase 40% de toda a área de aquíferos no pais. 
 
A jornalista destaca que existe um movimento internacional contra o uso da tecnologia de exploração de gás baseada no fracionamento da rocha, pelos impactos ambientais que ela provoca, como a contaminação do lençol freático, os efeitos sobre as populações e também sobre a atividade agrícola. Participante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, o cacique Kretã, da etnia Kaigang, também alerta para os riscos de contaminação da água, a floresta e a saúde não apenas da população indígena. “Estamos pensando na  população brasileira. Por isso, estamos nos articulando com outras organizações”, afirma o cacique. Curiosamente, a mobilização tem conseguido reunir segmentos da sociedade com interesses normalmente conflitantes, como indígenas, ativistas de causas sociais e ambientais e ruralistas.